Exu


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Exu é a divindade messageira e responsável pela comunicação entre os deuses, ancestrais e seres humanos. Ele possui a habilidade de criar calma e/ou caos. Entretanto, Exu é o primeiro orixá a ser oferecido o seu ritual cerimonial de comida e bebida. Exu se revela o mais humano de todos os orixás, não sendo completamente bom nem ruim. Ele é responsável pelo equilíbrio dos seres humanos. Suas cores são o vermelho e o preto e sua saudação é “ Laroye”.

 

 

Èsù ou Elégbára

 

Exú é um Orixá ou um ebora de múltiplos e contraditórios aspectos, o que o torna muito difícil de defini-lo de maneira coerente. De caráter eras cível, ele gosta de suscitar dissensões e disputas, de provocar acidentes e calamidades públicas e privadas.

É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionários assustados com essas características, compararam-no ao Diabo, e dele fazendo símbolo de tudo o que é maldade, perversidade, objeção, ódio, oposição á bondade, á pureza, á elevação e do amor á Deus.

Entretanto, Exú possui o seu lado bom e, se ele é tratado com consideração, reage favoravelmente, mostrando-se serviçal e prestativo. Se, pelo contrário, as pessoas esquecerem de lhe oferecer sacrifícios e oferendas, podem esperar todas as catástrofes.

Exú revela-se, talvez, por essa maneira, ser o mais humano dos Orixás, nem completamente bom, nem completamente ruim.

Ele tem as qualidades dos seus defeitos, pois é dinâmico e jovial, constituindo-se assim, um Orixá protetor, havendo mesmo pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como : Èsùbíuìí ( conhecido por Exú), ou Èsùtósìn ( Exú merece ser adorado) (1).

Como personagem histórica, Exú teria sido um dos companheiros de Odùdùa, quando da sua chega em Ifé,e chamava-se Èsù Obasain. Tornou-se, mais tarde, um dos assistentes de Orunmilá, que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo Espega 2, Exú tornou-se rei de Kêto sob o nome de Èsù Alákétu.

É Exú que supervisiona as atividades do mercado do rei em cada cidade: o de Oyò é chamado de Èsù Akesam.

Como Orixá, diz-se que ele veio ao mundo comum porrete chamado, ogò, que teria a propriedade de transporta-lo, em algumas horas á centenas de quilômetros e atrair,por poder magnético, objetos situados em distâncias igualmente grande.

Exú é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. E também ele serve de intermediário entre os homens e os deuses. Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes de qualquer outro Orixá, para neutralizar as suas tendências e provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em suas relações com os deuses e, até mesmo dos deuses entre si.

Exú teve numerosas brigas com os outros Orixás, nem sempre saindo vencedor.

Certas lendas me contam que seus sucessos e seus reverses nas suas relações com Oxalá, ao que fez passar alguns maus momentos, em vingança por não haver percebido certas oferendas, quando Oxalá foi enviado por Olodumaré, que é o Deus Supremo, para criar o mundo.

Exú uma sede tão intensa que Oxalá bebeu vinho palma em excesso, com conseqüências desastrosas, como veremos. Teremos oportunidade, também, de ver como Exú foi responsáveis pelos transtornos de que o mesmo Oxalá foi objeto quando certa vez foi visitar XangÔ.

Por outro lado, em lendas publicadas numa obra (2), narra-se que houve uma disputa entre Exú e o Grande Oxalá, para saber qual dos dois era mais antigo e, em conseqüência o mais respeitado.

Oxalá provou a sua superioridade durante um combate cheio de peripécias, a fim de que ele apoderou-se da cabacinha que encerra o poder de Exú, transformou-se em seu servidor.

Durante uma competição da mesma natureza entre Exú e Obaluayê (3) este último saiu igualmente vencedor.

O lado malfejoso de Exú é evidenciado nas seguintes histórias:

Uma delas, bastante conhecida e da qual existem numerosas variações, conta como ele semeou discórdia entre dois amigos que estavam trabalhando em campos vizinhos. Ele colocou um boné vermelho de um lado e branco do outro e passou ou longo de um caminho que separava os dois campos. Ao fim de alguns instantes, um dos amigos fez lusão ao á um homem de boné vermelho; o outro retrucou que o boné era branco e o primeiro voltou a insistir, mantendo a sua afirmação; o segundo permaneceu firme na retificação. Como ambos eram de boa fé, apegaram-se aos seus pontos de vista, sustentando-os com ardor e, logo depois, com cólera. Acabaram travando uma luta corpo a corpo e mataram-se um ao outro.

Uma outra lenda mostra Exú mais maquiavélico ainda.

Ele foi procurar uma rainha abandonada já há algum tempo por seu marido e lhe disse: ‘Trabalha-se alguns fios de barba do reio e corte-o com esta faca. Eu lhe farei um amuleto que trará o seu marido de volta’.

Em seguida Exú foi à casa do filho da rainha, que era o príncipe herdeiro. Este vivia numa residência situada fora dos limites do palácio do rei. O costume assim o determinava, afim de prevenir a tentativa de assassinato de um soberano por um príncipe impaciente para subir ao trono. ‘ O rei vai partir para a guerra’, disse-lhe ele, ‘ e pede o seu comparecimento esta noite ao palácio, acompanhado dos seus guerreiros’. Finalmente Exú foi ao rei e disse-lhe: ‘ A rainha magoada por sua frieza, pretende mata-lo para se vingar.Cuidado com esta noite’.

E a noite veio. O rei deitou-se, fingiu dormir e viu, logo depois arainha aproximar-se com uma faca de sua garganta. O que ela queria era cortar o fio da barba do rei, mas ele julgou que ela desejava assassina-lo. Orei desarmou-a ambos lutaram, fazendo grande algazarra.

O príncipe, que chegava ao palácio com os seus guerreiros, escutou gritos no aposento do rei e correu para lá. Vendo o rei com uma faca na mão, o príncipe pensou que ele queria matar a sua mãe. Por outro lado, o rei, ao ver o filho penetrar nos seus aposentos, no meio da noite, armado e seguido por seus guerreiros, acreditou que eles desejam assassina-lo.

Gritou por socorro. A sua guarda o acudiu e houve uma grande luta, seguindo de massacre generalizado.

Uma história mais simples, mostra a atividade de Exú na vida cotidiana: uma mulher se encontrava no mercado vendendo os seus produtos. Exú põe fogo na sua casa, ela corre para lá, abandonado o seu negócio.

A mulher chega tarde, a sua casa está queimada e, durante esse tempo, um ladrão levou as suas mercadorias.

Nada disso teria acontecido, nem os amigos teriam brigado, nem o rei e o príncipe teriam se massacrado, ne ma vendedora teria se arruinado se tivessem feito á Exú as oferendas e os sacrifícios usuais.

O lugar consagrado á Exú entre os iorubás é constituído de: um pedaço de pedra poderosa, chamada Yangi, ou por um montículo de terra grosseiramente modelado na forma humana, com olhos, nariz e boca assinalados com búzios; ou então ele é representado por um estátua, enfeitada com fileira de búzios, tendo em suas mãos pequenas cabaças (àdó), contendo os pés por ele utilizados em seus trabalhos. Seus cabelos são presos numa longa trança, que cai para traz e forma, em cima, uma crista para esconder a laminada faca que ele tem no alto do crânio. Isso por sinal, é dito em uma das suas sudações:

‘Sonso abe kò lòri erù’

[‘A lâmina (sobre a cabeça) é afiada ele não tem cabeça para carregar fardos’]

Para Exú são oferecidos bodes e galos, pretos de preferência, e pratos cozidos em azeite de dendê (epo), porém nunca se deve lhe oferecer o óleo branco (adi), que é extraído das amêndoas contidas nos caroços de dendê.

Este àdí tem a reputação de ser ‘ cheio de violência e cólera’. Dizem que uma boa maneira de se vingar de um inimigo consiste em derramar sobre a estátua de Exú esse óleo, fervendo de preferência, declarando em voz alta que essa oferenda é feita pela pessoa desprezada. Exú então não lhe deixaria pregar uma peça.

Os elégùns das cerimônias celebradas para outros Orixás.

Alguns acompanham Xangô e trazem nas costas uma tralha curiosa, onde se encontram, em desordem, duas ou três estatuetas de Exú, fieiras de búzios, pentes, espelhos e as indispensáveis cabacinhas que se realizam a cada quatro dias,para Ogum, na região de Holi. No decorrer de suas danças, trazem sempre na mão ògo, bastão de forma fálica.

Exú pode fazer coisas extraordinárias como as que se exprimem nos seus oríkì, os louvores tradicionais.

“Exú fez o erro virar acerto e o acerto virar erro ”.

“É numa peneira que ele transporta o azeite que ele compra no mercado; e o azeite não escorre dessa estranha vasilha”.

“Ele matou o pássaro ontem, com uma pedra que atirou somente hoje. Se ele se zanga, pisa numa pedra e ela põe-se a sangrar.”

“Aborrecido, ele senta-se na pele de uma formiga”

“Sentado a sua cabeça bate no teto; de pé, não atinge a altura de um fogareiro”.

Légba

Entre os fon e os daomé, Èsù-Elégbára tem o nome de Légba. Ele é representado por um montículo de terra em forma de um homem acocorado, ornado de um falo de tamanho respeitável. Esse falo ereto,nada mais é do que a afirmação do seu caráter truculento, atrevido e sem vergonha e de seu desejo de chocar o decoro.

Os Légba, guardiões dos templos de Hevioso, vodun do trovão, e de Sapata, vodun equivalente a sànpònnádos iorubás,manifestando-se através de Légbasi, equivalentes a Olúpòna, durante as cerimônias celebradas por este vodun. Os légbase vestem-se com uma saia de ráfia de cor roxo e usam a tira colo inúmeros colares de búzios. Debaixo da sua sai, trazem, disfarçados, um volumoso falo de madeira que levantam, de vez em quando, com mímicas eróticas. Além disso, têm na mão uma espécie de espanta-mosca roxo, semelhante a um espanador, no qual está escondido um bastão escondido em forma de falo, que eles agitam de forma engraçada,na cara das pessoas presentes, particularmente no nariz dos turistas, pois os légbasi não deixam de observar seus sentimentos ambivalentes diante dessas exibições .


1-Lucas, p.52.
2-Verger (XI), III-c
3-Epega, p.21
4-Verger (XI), XVII-b

(Leitura estraída do livro Orixás Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo. Autor: Pierre Fatumbi Verger)

 

 

 

ARQUÉTIPO__________________________________________________________________

 

Exu para uns é um Orixá como todos os outros, mas raramente se tem notícia de alguém que seja seu filho, na maioria das vezes as pessoas desse Orixá na hora da feitura são consagradas a Ogun. Segundo a maioria dos pesquisadores, na África as pessoas consagradas a Exu são orgulhosas disso, mas no Brasil em virtude do sincretismo que fizeram de Exu com o Diabo, o mesmo não acontece. As pessoas de Exu preferem ser de Ogum para não serem discriminadas.

 

(trecho do livro "Lendas Africanas dos Orixás", de Pierre Fatumbi Verger e Caribé, Editora Corrupio)
 

 

 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

O Criador, ou Olodumaré, ficou doente. Nenhum dos Orixás poderiam curá-lo. Finalmente, Olodumaré chamou Exu, que deixou a sua casa, nos bosques, onde juntou várias ervas medicinais e foi até Olodumaré, com sua bolsa de ervas nas costas. Exu pediu que todos os outros o deixassem a sós com Olodumaré e usou todo o seu conhecimento das ervas medicinais para curar o criador. Mostrando gratidão, Olodumaré determinou que daquele dia em diante, Exu seria o primeiro a comer, antes de qualquer outro Orixá. Isto deixou Exu muito feliz, pois mesmo morando no bosque, às vezes não tinha o bastante para comer. Assim foi como um dos mais novos Orixás tornou-se o mais importante e o mais poderoso.

 

 

Há uma maneira hábil de obter um favor de Exu.
É preparar-lhe um golpe mais astuto que aqueles que ele mesmo prepara.
Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca.
Seus campos estavam áridos, a chuva não caía.
As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores.
Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos.
Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode.
Exu comeu com apetite desta excelente oferenda.
Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado.
Exu teve sede.
Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa, e que tinham, em suas casas, os vizinhos, não foi suficiente para matar sua sede!
Exu foi à torneira da chuva e abriu-a sem pena.
A chuva caiu.
Ela caiu de dia, ela caiu de noite.
Ela caiu no dia seguinte e no dia depois, sem parar.
Os campos de Aluman tornaram-se verdes.
Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória.
E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam, e o rio corria velozmente para não transbordar!
Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta.
Havia chovido bastante. Mais, seria desastroso!
Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.

 

(Lendas Africanas dos Orixás, de Pierre Fatumbi Verger)

 

 

Exu tornou-se o decano de todos os orixá

 

A história do modo como Exu tomou a primazia das mãos de todos os orixás e embora que até então eram seus mais velhos quando exu tentava apodera-se do comando, foi consulta ifá (para saber) como esse pensamento poderia se tornar realidade e o que poderia ser feito para que esse pensamento se materializasse ele foi consultar o oráculo dos seguintes Babaláwo: bater-se desesperadamente não faz a anciedade a quem Olorun cria como senhor é aquele que chamamos de Pai na terra. Bater-se desesperadamente não faz a anciedade a quem Olorun cria como senhor é aquele que chamamos de Pai no espaço do orun. Todos eles jogaram ifá para Exu Odara, no dia em que ele foi procura o senhorio sobre os dezesseis Irúnmàlè, quando obteve a primazia sobre os dezesseis Irúnmàlè do mundo. Disseram, Você exu, disseram, você deve ofereçe um sacrífico, disseram, o sacríficio que você fará disseram, seria afim de que aquilo que você pensa venha a ser verdade. Exu perguntou o que deveria oferece em sacrífico Eles disseram: três pernas-de-papagaio-vermelho, ekódide, três galos de cristas “bem maduras”. Disseram que deveria adicionar quinze centavos e azeite de dendê e fazer uma oferenda de palmas recém-brotadas, màrìwò. Exu fez a oferenda a todos os Babaláwo. Depois que fez a oferenda, eles dessidiram lhe dar uma perna de papagaio vermelho.
Disseram para levá-la sobre ele mesmo todo o tempo. Disseram para não se servir de sua cabeca para transportar nenhum carrego, disseram não antes de três meses. Então Exu se preparou: apanhou sua única perna-de-papagaio-vermelho, ekódide, e a colocou na cabeça. Quando Exu estava para partir, Olódùmarè teve um pensamento a partir da mensagem transmitida pela oferenda. Olódùmarè teve então essa idéia: gostaria de conhecer aquele que estivesse dando o melhor de si, zelando pelo bom andamento do mundo, entre todos os orixás e os ebora que ele tinha criado. Ele disse então que todos deveriam vir a fim de lhes perguntar até que ponto estavam adminstrando os assuntos da terra. Quando ele lhes pediu que viessem, cada um preparou as coisas com as quais adoraria Olódùmarè. Eles as arrumaram em pequenos carregos. Quando arrumaram todos esses carregos, todos se reuniram, Orixála e Olófin e Ògúm, Ifa, Òxôssì, Sónikéré, Obagèdè, Obalufòn, Ifa, Orixaoko, Yemánja. Todos incluindo Oxum e os outros que se estavam preparando paras ficar prontos para partir em direção ao espaço aberto do Orun. Partiram em viagem, em fila “um atrás do outro”. Quando Exu se pois a caminho, se perguntou, se foçasse a carregar qualquer coisa agora, bem, será que a oferenda que estava de ser feita para que ele, bem será que tudo não ficária tudo inutilizado?
Para isso, se lhe fizessem perguntas, saberia o que dizer: que era uma propriciação que tinha sido feita para que ele e que não deveria levar carrego naquele momento.
Depois Exu apanhou sua perna-de-papagaio-vermelho, ekódide e a colocou na cabeça.
Ele não colocou nenhum gorro. Todos os orixás, os que tinham colocado um gorro, os que tinham colocado coroa, os que tinham colocado chapéus, os que também levavam carrego, os que também levavam seus embrulhos na mão, mas Exu não levava nada e não colocou o gorro nem carregava algum pacote; assim iam todos eles. Quando alcançaram os espaço de Olódùmarè foram e colocaram-se em sua direção; quando estavam assim, foi ele próprio que lhes apareceu. Depois que Olódùmarè os fitou por um bom espaço de tempo, não lhe fez nenhuma pergunta sobre a maneira como se tinha conduzido na Terra, porque Olódùmarè e Olúmonokòn, aquele que conhece os corações. Fitando-os assim, disse, todos vocfês que estão lá em pé, e disse, a pessoa que carregou ekódide na cabeça, disse, que deveriam fá-lo aproxima-se. Assim que ele veio ele disse, você veio revelar isto: você é aquele que reuniu todos os habitantes da Terra e esteve fazendo trabalho para eles, disse, é pôr isso que você colocou o ekódide, em sua cabeça. Ele disse, os outros orixás trouxeram carregos atrás de você, disse, você é aquele que conduziu até aqui. Exu não disse nada. “Assim veja”, disse Exu.
Nesse dia Olódùmarè disse a todos, numa resposta pronunciada num tom sem réplica: “quando vocês chegarem a seus lugares de morada, para onde retornarão, tudo o que deve fazer, aquele que foi seu líder, que carregou o emblema Egán em sua cabeça, é a quem você deve procura e falar. Ele deverá trazer-me todas as sugestões de vocês, porque hoje vocês mostraram que aquele que os guiou para que pudessem submeter-me suas sugestões. Antes de as pôr em execução, é ele. “É pôr isso Ele viu Egán em sua cabeça. E ninguém discutiu. Es como Exu veio a conduzi-los todos devota a terra nesse particular momento. A canção que eles cantaram nesse dias, no caminho de volta, dizia:
Èxú não levou carregou de homenagem e submissão,
Exú não levou carregou de homenagem e submissão;
(porque) Egán Vermelho erguia-se destacando-se em sua cabeça;
Exú não podia levar carrego de homenagem e submissão.
Assim, Exú retornou à Terra; quando chegou à Terra, Ele disse então que daria uma festa comemorativa porque Olódùmarè lhe tinha dado poder e status conhecidos de todos os Òrixá; aqueles que ignorassem a autoridade de Exú, Exú faria com eles como a corda dobra o arco e como Àrìnàkò se abate sobre o caracol. E Exú festejou o alegre acontecimento entre os quatrocentos Irúnmàlè do lado direto e os duzentos malè do lado esquerdo.
Pôr essa razão, todos os Orixá começaram a imitar seu costume colocando a pena ekódide como emblema de axé durante seus ritos de celebração anual ou como emblema de sacrifício cada vez que eram realizados. É pôr isso que a pena ekódide, se tornou um preceito tradicional para todos eles. Essa pena-de-papagaio-vermelho, Exú foi o primeiro a levá-la aos vastos espaços do òrun de acordo com que ele havia escutado dos babaláwo que tinham consultado o oráculo Ifá para ele, sobre a maneira como apossar-se do senhorio. É pôr isso que essa pena-de-papagaio-vermelho foi chamada Egán. Cada vez que se quer iniciar alguém no culto de Ifá até hoje, coloca-se esse Egán na cabeça dessa pessoa, onde for iniciado, e ela não deve colocar carrego sobre sua cabeça durante sete dias, depois dos quais ela pode retirar esse Egán. Este é o axé de Exú cujo poder lhe foi dado pôr Olódùmarè, quando ele se serviu disso para conquistar o senhorio sobre todos os orixá. É pôr isso que o colocar um ekódide na cabeça leva o nome de Egán.
Nenhuma pessoa deve colocar a pena para brincar; até hoje, se alguém o coloca em sua cabeça para vincar e se permanecer algum tempo, essa pessoa provoca a cólera de Exú.
Salvo se essa pessoa se serviu disso quando de um oferenda dirigida aos Irúnmàlè ou ao Orixás, se é para isso que ele o colocou em sua cabeça. Só pôr essa razão é que ela pode não provocar a cólera de Exú. Essa pena-de-papagaio-vermelho foi utilizada pôr Exú para tomar a soberania das mãos de todos os Orixá naquele tempo.
Ele começou então a elogiar os sacerdotes de Ifá.
Eles lhe agradecia sinceramente, - Bater-se desesperadamente não faz a ancianidade, a quem Olórun cria como um Sênior é aquele que chamamos Pai na Terra; aquele a quem Olórun cria o sênior é aquele que chamamos Pai do Orun. Esses foram os sacerdotes que consultaram Ifá para Exú Odàrà quando ele queria tomar o senhorio das mãos dos dezesseis Irúnmàlè, dos quatrocentos Irúnmàlè da direta e dos duzentos malè da esquerda. Exú Odara é aquele, quando vocês se levantam, ao qual é preciso fazer apelo para que ele lhes providencie o alimento. Exú Odàrà!
É ele, quando vocês se levantam, ao qual é preciso fazer apelo para que ele lhes providencie a bebida. Exú Odàrà!
É aquele que guiou todos os Irúnmàlè de retorno à Terra. Eis como Exú ganhou a soberania daquele tempo até agora. Não existe ninguém que coma ou esteja instalado com realeza, sem que haja recorrido a Exú primeiro.
Então as pessoas disseram: demos a Exú o que lhe é de direito para não causar seu descontentamento de maneira a que o que desejamos fazer chegue ao bom termo. Então Exú tornou-se o asiwájú, aquele que vai à frente de todas as pessoas da Terra, pela Segunda vez. É assim que Òsetùá conta essa história sobre Exú.

 

 

(2)

 

Exu foi o primeiro filho de Iemanjá e Oxalá. Ele era muito levado e gostava de fazer brincadeiras com todo mundo. Tantas fez que foi expulso de casa. Saiu vagando pelo mundo, e então o país ficou na miséria, assolado por secas e epidemias. O povo consultou Ifá, que respondeu que Exu estava zangado porque ninguém se lembrava dele nas festas; e ensinou que,para qualquer ritual dar certo, seria preciso oferecer primeiro um agrado a Exu. Desde então, Exu recebe oferendas antes de todos, mas tem que obedecer aos outros Orixás, para não voltar a fazer tolices.
 

 

(0)

 

Certa vez, dois vizinhos muito amigos esqueceram de fazer as oferendas devidas a Exu antes de começar a semana de trabaho. Zangado, Exu resolveu se vingar. Pôs na cabeça um gorro que era vermelho de um lado e branco do outro.Em seguida, passou calmamente pelo caminho que dividia as terras dos dois vizinhos, cumprimentando-os amavelmente. Quando ele se afastou, um dos vizinhos perguntou ao outro: "- Quem será este senhor de gorro branco?"E o outro falou: "- Não, o gorro era vermelho!"E ficaram discutindo se o gorro era vermelho ou branco, até que se pegaram e brigaram até se matar.

 

 

(1)

 

Exú sempre foi o mais alegre e comunicativo de todos os orixás. Olorun, quando o criou, deu-lhe, entre outras funções, a de comunicador e elemento de ligação entre tudo o que existe. Por isso, nas festas que se realizavam no orun (céu), ele tocava tambores e cantava, para trazer alegria e animação a todos.

Sempre foi assim, até que um dia os orixás acharam que o som dos tambores e dos cânticos estavam muito altos, e que não ficava bem tanta agitação.

Então, eles pediram a Exú, que parasse com aquela atividade barulhenta, para que a paz voltasse a reinar.

Assim foi feito, e Exú nunca mais tocou seus tambores, respeitando a vontade de todos.

Um belo dia, numa dessas festas, os orixás começaram a sentir falta da alegria que a música trazia. As cerimônias ficavam muito mais bonitas ao som dos tambores.

Novamente, eles se reuniram e resolveram pedir a Exú que voltasse a animar as festas, pois elas estavam muito sem vida.

Exú negou-se a fazê-lo, pois havia ficado muito ofendido quando sua animação fora censurada, mas prometeu que daria essa função para a primeira pessoa que encontrasse.

Logo apareceu um homem, de nome Ogan. Exú confiou-lhe a missão de tocar tambores e entoar cânticos para animar todas as festividades dos orixás. E, daquele dia em diante, os homens que exercessem esse cargo seriam respeitados como verdadeiros pais e denominados Ogans.

 

 

(2)

 

Disse Exu quando chegou ao mundo: " Mamãe eu quero comer. Eu quero um cachorro e comeu o cachorro; Eu quero um peixe e comeu o peixe, eu quero uma ave e comeu todas as aves, todos os peixes, todos os quadrúpedes. Comeu sua mãe e falou a Orumilá:
- Babá eu quero te comer.
Orumilá foi então consultar os babalaôs, ou seja, Ifá.
Consultado Ifá, este disse: você precisa de 400 mil cauries e uma espada. Quando Exu foi comer Orumilá , este tomou a espada e o perseguiu pelos nove oruns, os nove planos"
 

A interpretação do ângulo oculto (esotérico) dessa parábola, traduz que Exu detém o poder sobre a matéria mas, não sobre o principio espiritual. ( Orumilá )

 

 

Exu instaura o conflito entre Iemanjá, Oiá e Oxum

 

Um dia, foram juntas ao mercado Oiá e Oxum, esposas de Xangô, e Iemanjá, esposa de Ogum.

Exu entrou no mercado conduzindo uma cabra.

Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.

Aproximou-se de Iemanjá, Oiá e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orunmila.

Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido.

Iemanjá, Oiá e Oxum concordaram e Exu partiu.

A cabra foi vendida por vinte búzios. Iemanjá, Oiá e Oxum puseram os dez búzios de Exu a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam. Iemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Oiá e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.

Iemanjá disse: “É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais”.

Oxum rejeitou a proposta de Iemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.

Piá intercedeu, dizendo que , em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.

As três não conseguiam resolver a discussão. Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios eqüitativamente entre elas. Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais. E sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha. Mas Oiá e Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho. Elas se recusaram a dar a Iemanjá a maior parte.

Pediram a outra pessoa q eu dividisse eqüitativamente os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual. Propôs que a parte maior fosse dado à mais nova. Iemanjá e Oiá.

Ainda um outro homem foi solicitado a fazer a divisão. Ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova. O búzio devia ser dado a Oiá. Mas Iemanjá e Oxum rejeitaram seu conselho. Elas se recusaram a dar o búzio extra a Oiá.

Não havia meio de resolver a divisão.

Exu voltou ao mercado para ver como estava a discussão. Ele disse: “Onde está minha parte?”.

Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo eqüitativo.

Exu deu três a Iemanjá, três a Oiá e tre a Oxum. O décimo búzio ele segurou.

Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.

Exu disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Orun.

Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser.

Quando qualquer coisa vem para alguém, deve-se dividi-la com os antepassados. “Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios.”

Iemanjá, Oiá e oxum reconheceram que Exu estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada.

Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Oió passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna.

 

(Lenda 24 do Livro Mitologia dos Orixás)

 

 

Esú torna-se o amigo predileto de Orunmila

 

Como se explica a grande amizade entre Orunmila e Exu, visto que eles são opostos em grandes aspectos ?

Orunmila, filho mais velho de Olorun, foi quem trouxe aos humanos o conhecimento do destino pelos búzios. Exu, pelo contrario, sempre se esforçou para criar mal-entendidos e rupturas, tanto aos humanos como aos Orixás. Orunmila era calmo e Exu, quente como o fogo.

Mediante o uso de conchas adivinhas, Orunmila revelava aos homens as intenções do supremo deus Olorun e os significados do destino. Orunmila aplainava os caminhos para os humanos, enquanto Exu os emboscava na estrada e fazia incertas todas as coisas. O caráter de Orunmila era o destino, o de Exu, era o acidente. Mesmo assim ficaram amigos íntimos.

Uma vez, Orunmila viajou com alguns acompanhantes. Os homens de seu séqüito não levavam nada, mas Orunmila portava uma sacola na qual guardava o tabuleiro e os Obis que usava para ler o futuro.

Mas na comitiva de Orunmila muitos tinham inveja dele e desejavam apoderar-se de sua sacola de adivinhação. Um deles mostrando-se muito gentil, ofereceu-se para carregar a sacola de Orunmila. Um outro também se dispôs à mesma tarefa e eles discutiram sobre quem deveria carregar a tal sacola.

Até que Orunmila encerrou o assunto dizendo: "Eu não estou cansado. Eu mesmo carrego a sacola".

Quando orunmila chegou em casa, refletiu sobre o incidente e quis saber quem realmente agira como um amigo de fato. Pensou então num plano para descobrir os falsos amigos. Enviou mensagens com a notícia de que havia morrido e escondeu-se atrás da casa, onde não podia ser visto. E lá Orunmila esperou.

Depois de um tempo, um de seus acompanhantes veio expressar seu pesar. O homem lamentou o acontecido, dizendo ter sido um grande amigo de Orunmila e que muitas vezes o ajudara com dinheiro. Disse ainda que, por gratidão, Orunmila lhe teria deixado seus instrumentos de adivinhar.

A esposa de Orunmila pareceu compreende-lo, mas disse que a sacola havia desaparecido. E o homem foi embora frustrado.

Outro homem veio chorando, com artimanha pediu a mesma coisa e também foi embora desapontado. E assim, todos os que vieram fizeram o mesmo pedido. Até que Exu chegou.

Exu também lamentou profundamente a morte do suposto amigo. Mas disse que a tristeza maior seria da esposa, que não teria mais pra quem cozinhar. Ela concordou e perguntou se Orunmila não lhe devia nada. Exu disse que não. A esposa de Orunmila persistiu, perguntando se Exu não queria a parafernália de adivinhação

Exu negou outra vez. Aí Orunmila entrou na sala, dizendo: "Exu, tu és sim meu verdadeiro amigo!".

Depois disso nunca teve amigos tão íntimos, tão íntimos como Exu e Orunmila.

 

( lenda 27 do Livro Mitologia dos Orixás)

 

 

Exu leva aos homens o oráculo de Ifá

 

Em épocas remotas os deuses passaram fome. Às vezes, por longos períodos, eles não recebiam bastante comida de seus filhos que viviam na Terra.

Os deuses cada vez mais se indispunham uns com os outros e lutavam entre si guerras assombrosas. Os descendentes dos deuses não pensavam mais neles e os deuses se perguntavam o que poderiam fazer. Como ser novamente alimentados pelos homens ? Os homens não faziam mais oferendas e os deuses tinham fome. Sem a proteção dos deuses, a desgraça tinha se abatido sobre a Terra e os homens viviam doentes, pobres, infelizes.

Um dia Exu pegou a estrada e foi em busca de solução. Exu foi até Iemanjá em busca de algo que pudesse recuperar a boa vontade dos homens. Iemanjá lhe disse: "Nada conseguirás. Xapanã já tentou afligir os homens com doenças, mas eles não vieram lhe oferecer sacrifícios".

Iemanjá disse: "Exu matará todos os homens, mas eles não lhe darão o que comer. Xangô já lançou muitos raios e já matou muitos homens, mas eles nem se preocupam com ele. Então é melhor que procures solução em outra direção. Os homens não tem medo de morrer. Em vez de ameaçá-los com a morte, mostra a eles alguma coisa que seja tão boa que eles sintam vontade de tê-la. E que, para tanto, desejem continuar vivos".

Exu retornou o seu caminho e foi procurar Orungã.

Orungã lhe disse: "Eu sei por que vieste. Os dezesseis deuses tem fome. É preciso dar aos homens alguma coisa de que eles gostem, alguma coisa que os satisfaça.. Eu conheço algo que pode fazer isso. É uma grande coisa que é feita com dezesseis caroços de dendê. Arranja os cocos da palmeira e entenda seu significado. Assim poderás conquistar os homens".

Exu foi ao local onde havia palmeiras e conseguiu ganhar dos macacos dezesseis cocos. Exu pensou e pensou, mas não atinava no que fazer com eles. Os macacos então lhe disseram: "Exu, não sabes o que fazer com os dezesseis cocos de palmeira? Vai andando pelo mundo e em cada lugar pergunta o que significam esses cocos de palmeira. Deves ir a dezesseis lugares para saber o que significam esses cocos de palmeira. Em cada um desses lugares recolheras dezesseis odus. Recolherás dezesseis histórias, dezesseis oráculos. Cada história tem a sua sabedorias, conselhos que podem ajudar os homens. Vai juntando os odus e ao final de um ano terás aprendido o suficiente. Aprenderás dezesseis vezes dezesseis odus. Então volta para onde moram os deuses. Ensina aos homens o que terás aprendido e os homens irão cuidar de Exu de novo".

Exu fez o que lhe foi dito e retornou ao Orun, o Céu dos Orixás. Exu mostrou aos deuses os odus que havia aprendido e os deuses disseram: "Isso é muito bom".

Os deuses, então, ensinaram o novo saber aos seus descendentes, os homens. Os homens então puderam saber todos os dias os desígnios dos deuses e os acontecimentos do porvir. Quando jogavam os dezesseis cocos de dendê e interpretavam o odu que eles indicavam, sabiam da grande quantidade de mal que havia no futuro. Eles aprenderam a fazer sacrifícios aos Orixás para afastar os males que os ameaçavam. Eles recomeçavam a sacrificar animais e a cozinhar suas carnes para os deuses. Os Orixás estavam satisfeitos e felizes. Foi assim que Exu trouxe aos homens o If'á.

 

(Lenda 28 do livro Mitologia dos Orixás)

 

Exu atrapalha-se com as palavras

 

No começo dos tempos estava tudo em formação.
Lentamente os modos de vida na Terra forma sendo organizados, mas havia muito a ser feito.
Toda vez que Orunmilá vinha do Orum para ver as coisas do Aiê, era interrogado pelos orixás, humanos e animais.
Ainda não fora determinado qual o lugar para cada criatura e Orunmilá ocupou-se dessa tarefa.
Exu propôs que todos os problemas fossem resolvidos ordenadamente.
Ele sugeriu a Orunmilá que a todo orixá, humano e criatura da floresta fosse apresentada uma questão simples para a qual eles deveriam dar resposta direta.
A natureza da resposta individual de cada um determinaria seu destino e seu modo de viver.
Orunmilá aceitou a sugestão de Exu.
E assim, de acordo com as respostas que as criaturas davam, elas recebiam um modo de vida de Orunmilá, uma missão.
Enquanto isso acontecia, Exu, travesso que era, pensava em como poderia confundir Orunmilá.
Orunmilá perguntou a um homem:
"Escolhes viver dentro ou fora?".
"Dentro", o homem respondeu.
E Orunmilá decretou que doravante todos os humanos viveriam em casas.
De repente, Orunmilá se dirigiu a Exu:
"E tu, Exu? Dentro ou fora?".
Exu levou um susto ao ser chamado repentinamente, ocupado que estava em pensar sobre como passar a perna em Orunmilá.
E rápido respondeu: "Ora! Fora, é claro".
Mas logo se corrigiu: "Não, pelo contrário, dentro".
Orunmilá entendeu que Exu estava querendo criar confusão.
Falou pois que agiria conforme a primeira resposta de Exu.
Disse: "Doravante vais viver fora e não dentro de casa".
E assim tem sido desde então.
Exu vive a céu aberto, na passagem, ou na trilha, ou nos campos.
Diferentemente das imagens dos outros orixás, que são mantidas dentro das casas e dos templos, toda vez que os humanos fazem uma imagem de Exu ela é mantida fora.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.67)

 

 

Exu vinga-se e exige o privilégio das primeiras homenagens

 

Exu era o irmão mais novo de Ogum, Odé e outros orixás.
Era tão turbulento e criava tanta confusão que um dia o rei, já não suportando sua malfazeja índole, resolveu castigá-lo com severidade.
Para impedir que fosse aprisionado, os irmãos o aconselharam a deixar o país.
Mas enquanto Exu estava no exílio, seus irmãos continuavam a receber festas e louvações.
Exu não era mais lembrado, ninguém tinha notícias de seu paradeiro.
Então, usando mil disfarces, Exu visitava seu país, rondando, nos dias de festa, as portas dos velhos santuários.
Mas ninguém o reconhecia assim disfarçado e nenhum alimento lhe era ofertado.
Vingou-se ele, semeando sobre o reino toda sorte de desassossego, desgraça e confusão.
Assim o rei decidiu proibir todas as atividades religiosas, até que se descobrissem as causas desses males.
Então os babalorixás reuniram-se em comitiva e foram consultar um babalaô que residia nas portas da cidade.
O babalaô jogou os búzios e Exu foi quem falou no jogo.
Disse nos odus que tinha sido esquecido por todos.
Que exigia receber sacrifícios antes dos demais e que fossem para ele os primeiros cânticos cerimoniais.
O babalaô jogou os búzios e disse que oferecessem um bode e sete galos a Exu.
Os babalorixás caçoaram do babalaô, não deram a menor importância às as suas recomendações e ficaram por ali sentados, cantando e rindo dele.
Quando quiseram levanta-se para ir embora, estavam todos grudados nas cadeiras.
Sim, era mais uma das ofensas de Exu!
O babalaô então pôs a mão no ombro de cada um e todos puderam levanta-se livremente.
Disse a eles que fizessem como fazia ele próprio:
que o primeiro sacrifício fosse para acalmar Exu.
Assim convencidos, foi o que fizeram os pais e mães de santo, naquele dia e sempre desde então.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.83)

 

 

(1)

Há uma maneira hábil de obter um favor de Exu.

É preparar-lhe um golpe mais astuto que aqueles que ele mesmo prepara.

Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca.

Seus campos estavam áridos, a chuva não caía.

As rãs choravam de tanta sede

e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores.

Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos.

Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode.

Exu comeu com apetite desta excelente oferenda.

Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado.

Exu teve sede.

Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa, e que tinham, em suas casas, os vizinhos,

não foi suficiente para matar sua sede!

Exu foi à torneira da chuva e abriu-a sem pena.

A chuva caiu.

Ela caiu de dia, ela caiu de noite.

Ela caiu no dia seguinte e no dia depois, sem parar.

Os campos de Aluman tornaram-se verdes.

Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória.

E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam,

e o rio corria velozmente para não transbordar!

Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode com o tempero

no ponto certo da pimenta.

Havia chovido bastante. Mais, seria desastroso!

Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.



(2)

Exú sempre foi o mais alegre e comunicativo de todos os orixás. Olorun, quando o criou, deu-lhe, entre outras funções, a de comunicador e elemento de ligação entre tudo o que existe. Por isso, nas festas que se realizavam no orun (céu), ele tocava tambores e cantava, para trazer alegria e animação a todos.

Sempre foi assim, até que um dia os orixás acharam que o som dos tambores e dos cânticos estavam muito altos, e que não ficava bem tanta agitação.

Então, eles pediram a Exú, que parasse com aquela atividade barulhenta, para que a paz voltasse a reinar.

Assim foi feito, e Exú nunca mais tocou seus tambores, respeitando a vontade de todos.

Um belo dia, numa dessas festas, os orixás começaram a sentir falta da alegria que a música trazia. As cerimônias ficavam muito mais bonitas ao som dos tambores.

Novamente, eles se reuniram e resolveram pedir a Exú que voltasse a animar as festas, pois elas estavam muito sem vida.

Exú negou-se a fazê-lo, pois havia ficado muito ofendido quando sua animação fora censurada, mas prometeu que daria essa função para a primeira pessoa que encontrasse.

Logo apareceu um homem, de nome Ogan. Exú confiou-lhe a missão de tocar tambores e entoar cânticos para animar todas as festividades dos orixás. E, daquele dia em diante, os homens que exercessem esse cargo seriam respeitados como verdadeiros pais e denominados Ogans.


(3)

Um dia Orunmilá foi procurar Osalá em seu palácio. Orunmilá e sua mulher queriam ter um filho. Chegando ao palácio de Osalá, Orunmilá encontrou Exú Yangui sentado à esquerda da entrada principal. Já dentro do palácio, e diante do velho rei, Orunmilá fez seu apelo, escutando de Osalá uma resposta negativa.

O velho rei afirmou-lhe que ainda não era tempo da chegada de um filho. Orunmilá, insatisfeito e ao mesmo tempo curioso, perguntou à Osalá quem era aquele menino sentado à porta do palácio e pediu ao rei, se poderia levá-lo como filho. Osalá garantiu-lhe que não era o filho ideal de se ter, ao que Orunmilá insistiu tanto em seu pedido que obteve a graça de Osalá.

Tempos depois nasceu Exú, filho de Orunmilá. Para espanto dos pais, nasceu falando e comendo tudo que estava a sua volta, acabando por devorar a própria mãe. Exú aproximou-se de Orunmilá para também comê-lo, entretanto o adivinho tinha consigo uma espada e enfurecido partiu para matar o filho.

Exú fugiu, sendo perseguido por Orunmilá, que a cada espaço do céu alcançava-o, cortando Exú em duzentos e um pedaços. A cada encontro, o ducentésimo primeiro pedaço transformava-se novamente em Exú. Assim terminaram por atingir o último espaço sagrado e, como não tinham mais saída, resolveram entrar num acordo. Exú devolveu tudo o que havia comido, inclusive sua mãe, em troca seria sempre saudado primeiro em todos os rituais.

 

 

 

ERVAS______________________________________________________________________

 

 

Amendoeira: Seus galhos são usados nos sacudimentos locais, ou seja, nos  locais em que o homem exerce suas atividades lucrativas. Na medicina caseira, seus frutos são comestíveis, porém em grandes quantidades, causam diarréia de sangue. Das sementes fabrica-se o óleo de amêndoas, muito usado para fazer sabonetes por ter efeitos emolientes, além de amaciar a pele.
amoreira.jpg (54708 bytes)Amoreira: Planta que armazena fluidos negativos e os solta ao entardecer, é usada pelos sacerdotes no culto a Eguns. Na medicina caseira, é usada para debelar as inflamações da boca e garganta.
aroeira.jpg (48166 bytes)Aroeira: Nas casas de Candomblé este vegetal pertence a Exú e tem aplicação nas obrigações de cabeça, nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. É usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de inflamações do aparelho genital. Também é de grande eficácia nas lavagens genitais.
arrebenta_cavalo.jpg (46951 bytes)Arrebenta Cavalo: No uso ritualístico esta erva é empregada do pescoço para baixo, em hora aberta. É também usado em magias para atrair simpatia. Não é usada na medicina caseira.
Arruda: Indicada contra maus fluídos e olho-grande. Suas folhas miúdas são aplicadas nos obori, banhos de limpeza ou descarrego, o que é fácil de perceber, pois se o ambiente estiver realmente carregado, a arruda morre.
avelos.jpg (14018 bytes)Avelós - Figueira do Diabo: Seu uso se restringe a purificação das pedras do orixá antes de serem levadas ao assentamento, é usada socada. A medicina caseira indica esta erva para combater úlceras e resolver tumores.
Beldroega: Usada na purificação das pedras de Exú. O povo utiliza suas folhas, socadas, para apressar cicatrizações de feridas.
brincodeprincesa.jpg (8948 bytes)Brinco de Princesa: Seu uso restringe-se a banhos fortes para proteger os filhos deste orixá. Não possui uso popular.
Cabeça de Nego: No ritual a rama é empregada nos banhos de limpeza e o bulbo nos banhos fortes de descarrego. Esta batata combate reumatismo, menstruações difíceis e inflamações vaginais.
cajueiro.gif (84903 bytes)Cajueiro: Suas folhas são utilizadas pelo axogun para o sacrifício ritual de animais quadrúpedes. em seu uso caseiro, ele combate corrimentos e diabetes
Cana de Açucar: Suas folhas secas e bagaços são usadas em defumações para purificar o ambiente antes dos trabalhos ritualísticos, pois essa defumação destrói eguns. Não possui uso na medicina caseira.
Catingueira: É muito empregada nos banhos de descarrego. Seu sumo serve para fazer a purificação das pedras. Entretanto, não deve fazer parte do axé de Exú onde se depositam pequenos pedaços dos axé das aves ou bichos de quatro patas. Na medicina caseira ela é indicada para menstruações difíceis.
Cebola - cencém: Essa cebola é de Exú e nos rituais seu bulbo é usado para os sacudimentos domiciliares. O povo utiliza suas folhas cozidas como emoliente.
Cunanã: Seu uso restringe-se aos banhos de descarrego e limpeza. Substitui em parte, os sacrifícios a Exú. A medicina caseira indica os galhos novos desta planta para curar úlceras.
Fedegoso Crista de galo: Esta erva é utilizada em banhos fortes, de descarrego, pois é eficaz na destruição de Eguns e causadores de enfermidades e doenças. Seus galhos envolvem os ebó de defesa. Com as flores e sementes desta planta é feito um pó, o qual é aplicado sobre as pessoas e em locais, é denominado "o pó que faz bem". Na medicina caseira atua com excelente regulador feminino e para cura de erisipelas e males do fígado.
fedegoso.jpg (55117 bytes)Fedegoso: Misturada a outras ervas pertencentes a Exú, o fedegoso realiza os sacudimentos domiciliares. É de grande utilidade para limpar o solo onde foram riscados os pontos de Exú e locais de despacho pertencentes ao deus da liberdade.
figodoenferno.jpg (68858 bytes)Figo do Inferno: Somente as folhas pertencem a Exú. Não possui uso popular.
fortuna.jpg (23196 bytes)Folha da Fortuna: É empregada em todas as obrigações de cabeça, em banhos de limpeza ou descarrego e nos abô de quaisquer filhos de santo. Na medicina caseira é consagrada por sua eficácia, curando cortes, acelerando a cura nas cicatrizações, contusões e escoriações, usando as folhas socadas sobre os ferimentos.
Jurema Preta: É usada nos banhos de descarrego e nos ebó de defesa. O povo a indica no combate a úlceras e cancros, usando o chá das cascas.
jurubeba.jpg (28480 bytes)Jurubeba: Utilizada em banhos preparatórios de filhos recolhidos ao ariaxé. Na medicina caseira, o chá de suas folhas e frutos propiciam um melhor funcionamento do baço e fígado. É poderoso desobstruente e tônico, além  de prevenir e debelar hepatites. Banhos de assento morno com essa erva propiciam melhoras às articulações das pernas.
lanternachinesa.jpg (12488 bytes)Lanterna Chinesa: Utilizada em banhos fortes para descarregar os filhos atacados por eguns. Suas flores enfeitam a casa de Exú. Popularmente, é usada como adstringente e a infusão de suas flores é indicada para a inflamação dos olhos.
mamona.jpg (32282 bytes)Manona: Suas folhas servem como recipiente para arriar o ebó de Exú. Suas sementes socadas vão servir par purificar o otá de Exú. Não uso popular.
mangueira.jpg (33130 bytes)Mangueira: É aplicada nos banhos fortes e nas obrigações de ori, misturada com aroeira, pinhão-roxo, cajueiro e vassourinha de relógio, do pescoço para baixo. As folhas servem para cobrir o salão da casa em dias de toque. Na medicina caseira é usada contra diarréias e asma. O cozimento das folhas, em lavagens vaginais, põe fim ao corrimento.
Pau D'alho: Os galhos dessa erva são utilizados nos sacudimentos domiciliares e em banhos fortes, misturadas com aroeira, pinhão roxo, ou pinhão branco. Na medicina popular é usada para exterminar abscessos e tumores. Usa-se socando bem as folhas e colocando-se sobre os tumores. O cozimento de suas folhas, em banhos quentes e demorados, é excelente para o reumatismo e hemorróidas.
Pimenta Darda: Aplicada em banhos fortes e nos assentamentos de Exú. Na medicina caseira, suas sementes em infusão são anti-helmínticas, destruindo até ameba.
Pinhão Branco: Aplicada em banhos fortes misturadas com aroeira. Esta planta possui o grande valor de quebrar  magias e em algumas ocasiões substitui o sacrifício de Exú. Suas sementes são usadas pelo povo como purgativo. O leite encontrado por dentro dos galhos é de grande eficácia colocado sobre a erisipela. Atenção, pois o leite possui uma nódoa que mancha tecidos.
Pinhão Roxo: Possui as mesmas aplicações nos rituais do pinhão branco, além de ser poderoso nos banhos de descarrego e limpeza, também em sacudimentos domiciliares, usando-se os galhos.Não possui uso popular.
Pinhão Coral: Usado para banhos de descarrego, no ebó de defesa. Na medicina caseira é usado contra feridas rebeldes e úlceras malignas.
Quixambeira: É aplicada em banhos de descarrego e limpeza para destruição de eguns e ao pé desta planta são arriadas obrigações a Exú e a Egun. Na medicina caseira suas cascas cozida, atua como energético adstringente.
Urtiga Branca: É empregada nos banhos fortes, nos de descarrego e limpeza e nos ebó de defesa. Faz parte nos assentamentos.
Urtiga Vermelha: Participa em quase todas as preparações do ritual, pois, entra nos banhos fortes, de descarrego e limpeza. É axé dos assentamentos de Exú e utilizada nos ebó de defesa. Suas raízes e folhas em chá, agem como diurético.
Xiquexique: Participa nos banhos fortes, de limpeza ou descarrego. São axé nos assentamentos de Exú e circundam os ebó de defesa. É indicada contra problemas renais.

 

 

 

IGUARIAS____________________________________________________________________

 

 

Padê para Exú

 

Ingredientes: 1 pacote de farinha de milho amarela; 1 vidro de azeite de dendê; 1 cebola grande; 1 bife; 3 charutos; 1 caixa de fósforo; 1 garrafa de aguardente; 7 pimentas vermelhas.

 

Modo de preparo: Em um alguidar coloque a farinha de milho e um pouco de dendê, com as mãos faça uma farofa bem fofa sempre mentalizando seu pedido. Corte a cebola em rodelas e refogue ligeiramente no dendê, faça o mesmo com o bife. Cubra o padê com as rodelas de cebola e no centro coloque o bife, enfeite com as sete pimentas. Ofereça a Exú o padê não esquecendo dos charutos e da aguardente.

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________

 

 

Orixás

 

 

Dança das Cabaças - Exu no Brasil (trailer)

 

 

EXU - Salvador Bahia