Orumilá-Ifá


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Ifá ou Orumilá é o deus da adivinhação. Suas vestes são brancas e êle usa o opelê para responder às perguntas no jôgo das adivinhas. Leva sempre consigo um saco contendo côcos de dendê. Seu dia da semana é quinta-feira.
 


 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

(1)

 

Orunmilá viveu na Terra por muitos anos e teve 8 filhos. Uma vez aborreceu-se com o desrespeito do caçula, e decidiu ir morar definitivamente no céu. Deu a seus filhos 16 nozes de dendê, dizendo para fazerem uso somente quando necessário.

 

 

A VOLTA DE ORUNMILÁ PARA O CÉU

 

Conta a lenda que depois de viver na terra por algum tempo, Orunmilá voltou ao céu. Para isso esticou uma longa corda e subiu por ela.

Os seres humanos ficaram totalmente desorientados sem a presença de Orunmilá, pois ele é que transmitia a vontade de Olorun para os homens, através do oráculo.

Olokun, deus do mar, aproveitou a situação e tomou quase toda a Terra, tornando-a inabitável.

Com pena dos homens, Orunmilá desceu novamente pela corda e colocou as coisas nos devidos lugares, tornando a Terra novamente habitável.



AS ATRIBUIÇÕES DE IFÁ


O povo iorubá conta que IFÁ era um deus que desceu do orun com a finalidade de ser o porta-voz de Orunmilá, o deus do oráculo.

Sua missão foi organizar o mundo, ajudar na doença e nos partos, ensinar o uso da medicina e dar orientação aos homens que a ele recorressem, sobre todo e qualquer assunto, valendo-se para isso da interpretação dos Odus.

Ifá chegou ao mundo e percorreu diversas localidades, instalando pelo caminho pontos de consulta. Quando chegou a Ile-Ifé instalou-se e ficou sendo o local para sua adoração.

Ifá conhecia todos os idiomas do céu e da terra, e pode orientar os homens de todos os povos e levar suas mensagens a Olorun. Era também médico, e até hoje seus poderes são exaltados nos orin e oriki em seu louvor.

 

 

Rivalidade entre Orumilá e Ossain

 

Orunmilá (Eleri Ipin), o testemunho do destino dos seres humanos, está precisando de um criado. Ele vai ao mercado e, entre os escravos que estão à venda ele escolhe Ossain. Manda-o desmatar o campo para preparar as novas plantações. Entretanto, para desespêro de Orunmilá, Ossain volta, à noite, sem ter cumprido sua ordem. Orunmilá o peergunta por que nada fez. Ossain lhe responde:

"Todas essas plantas, estas folhas e estas ervas têm virtudes. Elas não podem ser destruídas. Esta folha por exemplo, acalma as dores de dentes; esta outra, protege contra os efeitos de trabalhos maléficos; esta outra, ainda, cura a febre. Impossível, em verdade, arrancar plantas tão necessárias à saúde e à felicidade!"

Orunmilá, impressionado, decide que Ossain deverá, a partir de então, permanecer ao seu lado durante as sessões de adivinhação, para guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consulentes. Uma surda rivalidade se estabelece, pouco a pouco, entre esses deuses. Ossain, sofrendo por ser mantido em submissão, se vangloriava de ser mais importante que Orunmilá, pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que preparava. Ossain chegou a declarar ao rei Ajalayé que ele viera ao mundo antes de Orunmilá e, sendo mais antigo, tinha direito a seu respeito. O rei Ajalayé envia, uma mensagem a Orunmilá. Ele quer saber, entre ele e Ossain, qual é o mais importante dos dois. Orunmilá responde ser ele mais antigo que Ossain. O rei decide submetê-los a uma prova. Ele os convoca, acompanhados de seus primogênitos. Orunmilá chega com seu filho chamado Sacrifício. Ossain apresenta-se com o seu, chamado Remédio. Os dois serão enterrados durante sete dias. Aquele que sobreviver à provação e responder primeiro, com uma voz clara e forte, ao chamado que será feito, no fim do último dia, verá seu pai ser declarado vencedor.

Duas covas foram abertas. Sacrifício e Remédio foram colocados dentro e as covas firam fechadas. Orunmilá, voltando para casa, consultou Ifá. "Meu filho estará ainda vivo, passados os sete dias?" Ifá aconselhou-o a oferecer muito ekuru - um prato saboroso, bolo de feijão, pimenta, um galo, um bode, um pombo, um coelho e dezesseis búzios da costa. Orunmilá preparou a oferenda. Ela foi colocada em quatro lugares: na estrada, numa encruzilhada, diante de Exú e no mercado. Exú exerceu seu poder sobre o coelho sacrificado. Este ressuscitou e cavou um buraco que foi terminar na cova de Sacrifício, o filho de Orunmilá. Assim, o coelho levou alimento para ele.

Remédio, o filho de Ossain, nada tinha para comer. Mas ele possuía alguns talismãs, que agiam sobre a terra e lhe permitiram, assim, encontrar Sacrifício no fundo da sua cova. Remédio pede-lhe comida. Sacrifício responde: " Ah! Como posso eu, filho de Orunmilá, dar-lhe comida, quando há uma disputa em jogo? Tu não vês que assim causarás o sucesso de Ossain, estando vivo para responder ao chamado que será feito no fim dos sete dias?" Remédio insiste e promete a Sacrifício permanecer calado quando for feito o apêlo. Sacrifício, então, dá de comer a Remédio.

E chegou o final da prova. Os juízes chamam o filho de Ossain: "Remédio, Remédio, Remédio" Eles chamam em vão. Remédio não responde. "Bem! Remédio está morto", concluem eles. Chamam, em seguida, o filho de Orunmilá: "Sacrifício!" Imediatamente, escutam um forte sim. Sacrifício está são e salvo! Remédio sai, em seguida, igualmente vivo. Ossain pergunta ao filho a razão do seu silêncio, quando foi chamado o seu nome. Remédio narra o pacto feito com Sacrifício. Comida contra silêncio!

Este pacto tornou-se provérbio: "Sacrifício não deixa Remédio falar." Significando que Sacrifício é mais eficaz que Remédio. Razão pela qual, Orunmilá tem uma posição mais elevada que Ossain.

 

(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás" - Pierre Fatumbi Verger - Caribé - Editora Corrupio)

 

 

Orunmilá traz a festa como dádiva de Olodumare

Dizem que certa vez Orunmilá veio à Terra acompanhando os orixás em visita a seus filhos humanos, que já povoavam este mundo, já trabalhavam e se reproduziam.
Foi quando ele humildemente pediu a Olorum-Olodumare que lhe permitisse trazer aos homens algo novo, belo e ainda não imaginado, que mostrasse aos homens a grandeza e o poder do Ser Supremo.
E que também mostrasse o quanto Olorum se apraz com a humanidade.
Olodumare achou justo o pedido e mandou trazer a festa aos humanos.
Olodumare mandou trazer aos homens a música, o ritmo, a dança.
Olodumare mandou Orunmilá trazer para o Aiê os instrumentos, os tambores que os homens chamaram de ilu e batá, os atabaques que eles denominaram rum, rumpi e lé, o xequerê, o gã e o agogô e outras pequenas maravilhas musicais.
Para tocar os instrumentos, Olodumare ensinou os alabês, que sabem soar os instrumentos que são a voz de Olodumare.
E os enviou, instrumentos e músicos, pelas mãos de Orunmilá.
Quando ele chegou à Terra, acompanhando os orixás e trazendo os presentes de Olodumare, a alegria dos humanos foi imensa.
E, agradecidos, realizaram então a primeira e grande festa neste mundo, com toda a música que chagara do Orum com uma dádiva, homens e orixás confraternizando-se com música e dança recebidas.
Desde então a música e a dança estão presentes na vida dos humanos e são uma exigência dos orixás quando eles visitam nosso mundo.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.447)

 


Ifá nasce como menino mudo


Na criação do mundo, o rei do universo decidiu criar Ifá.
Assim, nasceu um menino que foi chamado Aiedegum.
Aiedegum nasceu do feiticeiro Meto-Lonfim e de Adje, sua primeira mulher.
Aiedegum, quando criança, não falava sequer uma palavra.
Já era adolescente quando o pai bateu nele com um bastão.
O menino, para surpresa geral, disse: "Gbê-medji", palavra que ninguém compreendia.
Dias depois, quando apanhou de novo, o menino mudo disse: "Ieku-meji".
E assim , em diversas ocasiões, foram se completando dezesseis palavras ditas por Aiedegum.
Então ele disse: "Pai, se eu apanhar mais, posso dizer muito mais que uma palavra".
O pai bateu mais no menino.
E Aiedegum disse:
"Vou morrer, mas quero legar-lhe uma herança magnífica, que há de servir à humanidade para sempre".
Ele explicou que os dezesseis nomes eram nomes de seus futuros filhos.
Que cada filho seu tinha um conhecimento.
Disse que deixaria uma palmeira e que com o caroço de seus frutos se faria o seu jogo, o jogo de Ifá. e assim se poderia consultar o jogo para se predizer o futuro.
Assim nasceu o oráculo de Ifá.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.448)

 


Orunmilá recebe de Obatalá o cargo de babalaô


Fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orunmilá.
Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orunmilá o governo do mundo.
Pensou em entregar a Orunmilá o governo dos segredos, os segredos que governam o mundo e a vida dos homens.
Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo.
Orunmilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante.
Um dia, Obatalá quis saber se Orunmilá era tão capaz quanto apresentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita.
Orunmilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer.
Obatalá, então, perguntou a Orunmilá por qual razão a língua era a melhor comida que havia.
Orunmilá respondeu:
"Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória".
Após algum tempo, Obatalá pediu a Orunmilá para preparar a pior comida que houvesse.
Orunmilá lhe preparou a mesma iguaria.
Preparou língua de touro.
Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior.
Orunmilá responde:
"Porque com a língua os homens se vendem e se perdem.
Com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas".
Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orunmilá.
Entregou a Orunmilá nesse momento o governo dos segredos.
Orunmilá foi nomeado babalaô, palavra que na língua dos orixás que dizer pai do segredo.
Orunmilá foi o primeiro babalaô.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.467)

 

 

(1)

 

Ifá era muito pobre e vivia da pesca. Então fez um trato com Legbá -o mensageiro celeste. Ele pediu que Exu lhe arranjasse riqueza e em troca ele.seria a Exú como escravo por 16 anos. Exu, muito ladino, conhecedor das artes advinhatórias, ficou feliz em ter a companhia de Ifâ. E aos poucos foi ensinando-lhe os segredos do futuro. Usava para ensinar a Ifá uns coquinhos de dendê. Mas, Ifá aprendeu tanto, que já não tinha vontade, nem tempo para limpar a casa de Exu. Um dia apareceu uma bela mulher na casa de Exu. Era Apetebi, e pediu para ajudar a arrumar a casa do Compadre. E aos poucos foi aprendendo a arte da adivinhação. Apetebi só se vestia de dourado e quando passava deixava um rastro de perfume. Ela não era outra se não Oxum. Oxum foi ensinada por lfá através do jogo com 16 coquinhos de dendê. E tanto aprendeu que Exu passou a responder a todas as perguntas da Yabá Menina.