Oxaguiã


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Oxaguian é Oxalá moço. Sempre de branco. Usa espada, escudo e mão de pilão. Guerreiro, seu dia da semana é sexta-feira. Come cabra, e é o dono do inhame.

 

 

O guerreiro que não conhece a derrota!

 

Orixá moço, Oxalá criança, as vezes adolescente, não passando do jovem adulto, Ajagunã Brinda o Universo com vida, com energia, com o lúdico e com a guerra e a cultura. Traz o dia, traz o tempo, traz a evolução e o ritmo!
Este controvertido Orixá, apenas superado em controvérsia por Exu, já traz os paradoxos em sua criação. Pois para alguns ele é filho de Oxalá com Yemanjá, mas na grande maioria da cultura este Orixá é o próprio Oxalá, em idades mais tenras! Quando sua missão era outra que apenas a administração da Criação, mas sim a de lançá-la, de construí-la e de fazê-la possível! A natureza destes dois aspectos do mesmo Orixá é tão distinta e paradoxalmente semelhante, que ao mesmo tempo em que o separa em dois Orixás distintos, os une no mesmo Orixá ao final da compreensão do momento, missão e natureza deste Orixalá (Supremo Orixá)!
Este Orixá é nascido do Odù Eji-Ogè, do primeiro alento de vida de Olorùn (Deus), com ele veio o dia primordial e consigo a vida! a ele Olorùn confiou a vida, o dia e a criação! Que não pôde realizar só, senão com a ajuda de sua irmã Odudua, nascida logo a seguir pelo Odù Oyekù e o surgimento da sombra emergida do brilho do dia e da vida, trazendo consigo a noite, o feminino, a morte. Ambos terminaram sob as ordens de Olorùn a Criação dos 9 mundos e do Aiyé (o mundo manifesto) e todos os seus habitantes, tendo como dinamizador desta relação o terceiro Orixá mais velho: Exu (esfera), aquele que faz girar o Axé destes dois princípios e que assim cria os caminhos possíveis para a realização do plano divino.
Conta uma lenda que, depois de espalhada a terra pela galinha de pata com cinco garras, desceram os Orixás para construírem o Aiyé, vieram antes de todos Ogyan e Ogum. Trabalharam arduamente construindo o mundo, quando a espada de cristal de Ogyan se rompe sob o peso da terra e da pedra. Era o instrumento celestial de Oxalá frágil para lidar com a rude matéria. Sem saber como continuar, veio Ogum que havia presenciado o ocorrido, e ofereceu a Oxalá sua própria espada para que Oxalá continuasse a trabalhar. Enquanto Ogum continuou com as próprias mãos!! Devido a isso Ogum goza de eterno prestígio com Oxaguiã, que sempre o abençoa em todo os seus empreendimentos e trabalhos!
É um Orixá de estratégia, deixando o campo de batalha para seu companheiro Ogum, que se compraz com a violência do campo de batalha. Sendo assim Ogyan é o general e Ogum seu direto imediato! A Ogyan cabe os respeitos e a honra! Tanto que além da saudação digna aos Oxalá: “Exe ê!” e “Epa Babà”, também exige o “Kabiesyle" digno dos Reis!
Esta lenda pode-se entrever a natureza extrema deste Orixá, às vezes muito branco, às vezes quase negro!! Ele nasceu de Eji-Ogbè (Eji-Onilé para o Merindilogum) um Odù de extremos! Às vezes os filhos de Ogyan, como é comum para os filhos de Oxalá, devido justamente à extrema brancura, sofrem de rinites, sinusites e outras alergias naturais a uma cabeça muito branca, assim como também a fotofobia, que a lenda relata. Também se sabe que seu comportamento é de extremos, e muitas vezes após a sua disposição extrema até quase maníaca, eles caem depois em uma grande fadiga ou até mesmo depressão... Vão ao céu e ao inferno praticamente no mesmo dia...rs. Mais uma vez os extremos da lenda. E os fantasmas, as situações obscuras e mal-resolvidas, são os agentes de maior perturbação para seus filhos, que não suportam não discernir e resolver por completo uma situação. Necessitam sempre deixar tudo às claras!! Assim as trevas (as sombras) são o que lhes deprime e atemorizam! Assim, como é comum a todos os Oxalá, não pode se ver manchado...rs. Quando digo manchado me refiro ao “manchar o Alá branco com dendê...”! Ou seja, manchar a reputação!!rs.
Quando aparece Ogum e com sua espada mistura harmoniosamente as duas tendências, na verdade Ogum e a espada são símbolo do trabalho e do progresso, assim como da batalha. Somente o trabalho pode reunir as duas tendências extremistas de Ogyan para um ponto em comum de progresso e saúde, que é o trabalho. A necessidade de Ikù participar da formação da cabeça de Ogyan é por que os filhos de Ogyan sem temores, angústias e questões a elucidar não se movem, e assim ficam se ressentindo de tanto talento armazenado e não explorado! É a união da motivação, do talento, com a necessidade e a angústia o que faz eles se moverem!! Mas apenas a espada, ou seja, os discernimentos afiados, que os filhos de Ogyan possuem por excelência, é que fará com que consigam aplicar tudo isto de modo equilibrado, saudável e proveitoso!! E isto será aplicado no trabalho, ou na batalha, fazendo emergir o valor, o novo, a virtude ou o vício, tudo para limpar o caminho e trazer o progresso! E como meta última, a perfeição! Não é necessário dizer que os filhos de Ogyan são perfeccionistas natos, e não perdoam as suas obras até atingirem a perfeição... nunca estará bom para eles, até que lhes pareça perfeito... Toda a obra para eles será sempre apenas um ensaio, a próxima será melhor, e talvez, a definitiva... Para um Orixá do progresso nunca existe a obra definitiva... e assim caminharão até à perfeição...!
Existe uma diferença em muitas casas que definem os Ogyan que portam pilão, e os Ogyan que portam espada. Assim os que portam o pilão seriam doces, progressistas e sociáveis, equilibrados. Enquanto os que portam espada seriam os desafiadores, os “encrenqueiros”, de humor instáveis e severos progressistas! No entanto ainda sabe-se que em outras casas, todos portam tanto uma quanto a outra, sendo apenas momentos do Orixá... e devendo ser acompanhado para buscar sempre estar equilibrando o Orixá.
Ogyan é em si o Orixá da Vida, do Dia, do Masculino, da Guerra e do Progresso! Enquanto Ogum, primordialmente, era o Orixá da caça. Que deixou para seu irmão mais novo Oxossi, enquanto foi se ocupar de “ganhar o mundo”. Com a ajuda de ifà descobriu o FERRO e como manipulá-lo, era este o material que “ganharia o Mundo”, assim o metal seria o elemento mais necessário e mais respeitado neste plano de matéria, sempre rivalizando com o fogo sua hegemonia (donde se tira sua eterna rivalidade e contenda com seu irmão Xangô, o fogo). Quando descobriu o FERRO todos os Orixás invejaram a descoberta de Ogum. No entanto, nem o próprio Ogum sabia exatamente o valor de tal descoberta. Foi sua parceria com Ogyan que o fez descobrir até em que extremo ele saberia explorar todo o valor desta descoberta. Pois Ogyan o estrategista efervescente, colocou Ogum para confeccionar todos os instrumentos que inventava! E assim Ogum e Oxalá produziram todos os instrumentos de labor, de cultivo, construção e também de guerra! Sendo assim Ogum, o Orixá do Ferro, se tornou também um dos patronos da construção, do progresso, do trabalho, da agricultura e da guerra! Ainda se pode ver, em suas danças míticas, Ogum fazendo uso dos instrumentos que confeccionou, ao mesmo tempo em que se pode ver, nas danças míticas, Ogyan apresentando cada instrumento criado por seu inventivo intelecto: A espada, a Lança, o Escudo, o pilão!...
Em outras lendas temos Oyà, mesmo no castelo de Xangô, sopra o fogo na forja de Ogum, para que ele possa confeccionar mais rápido a demanda de Ogyan de armas e utensílios para que este possa usar em suas batalhas! Tanto que ventos fortes e furacões são tidos como prenúncios de guerra, pois seria o poderoso e apressado sopro de Oyá para acelerar uma enorme produção de armas para a guerra de Ogyan!
Ogyan, assim como a Atenas grega, é um Orixá do gosto pela batalha como depuradora de verdades e otimizadora de progressos! Possui o gosto pelo debate, pelo combate das idéias e dos conceitos em busca de uma síntese mais perfeita, é o criador da luta entre a tese e a antítese, em busca de uma superior síntese, que novamente será posta à prova, e assim incessantemente até chegar à perfeição que este Orixá almeja! É isto, ou NADA!! Assim configurando mais um aspecto de seu caráter dado a extremos! Ogyan gosta da luta, do confronto entre idéias e ideais, entre técnicas, entre modos, caminhos e objetivos para que assim ao final surja algo mais limpo, mais reto, mais claro, mais progredido! Não suporta em si o calor da batalha, nem a confusão em si, a violência, despreza a barbárie (é um Orixá da cultura e do progresso), a desonra, a covardia, o medo, tudo isso ele ignora. Mas se regozija da guerra quando esta consegue trazer a evolução e a depuração necessárias para que a vida cresça e ascenda a outro patamar de cultura e compreensão! A confusão e a guerra, é um instrumento que Ogyan utiliza para que faça saltar a verdade, e assim, uma vez liberta, que a justiça e o progresso se façam! Um Orixá que busca trazer o valor à tona, utilizando momentos de extremos, para que o vício ou a virtude se apresentem. É o brilho do dia, que com seu esplendor força os contrastes aos extremos clareando e definindo tudo! É a visão e a verdade! Nenhuma dissimulação ou meia-verdade resiste ao vigor de seu brilho que define as naturezas e traz à tona as verdades. Alguns Ogyan no entanto são mais infantis que outros, outros são mais guerreiros e dados a batalhas que outros, e assim vai, dependendo do aspecto do Ogyan correspondente.
Assim o chamaram seus amigos, de Oxaguiã, que significa, Orixá comedor de inhame pilado! Um dia Awoledjé, seu babalawó resolve partir em peregrinação após lhe dar sábios conselhos sobre como dirigir sua cidade recém conquistada. Esta lenda demonstra mais uma característica, além de Ogyan portar as armas acima referidas, também porta o irukeré (rabo de cavalo branco) símbolo de sua realeza! E também a vareta de amoreira... demonstrando q possui também uma forte ligação e regência sobre os mortos... Ogyan, o Orixá da vida por excelência, também é o Orixá da vida após a vida! Sendo assim rege os mortos e sua lembrança viva...
Tanto q em algumas casas, antes de se fazer um Ogyan busca-se acalmar sua cabeça de Lorogum...rs. Existe um preceito muito simples e eficiente para isso.
Seu elemento: Ar e Água
Seu temperamento: Quente
Sua regência: Vida, criatividade, estratégia, a guerra, as invenções, a inteligência, o debate, o brilho, o dia!
Sua cor: o Branco, matizado de azul, cor q leva em honra a Ogum seu companheiro.
Seus instrumentos: a mão-de-pilão, a espada, a lança, o escudo, o irukeré (rabo de cavalo), o irisam (vareta de amoreira).
Comida preferida: inhame pilado.
Animais consagrados: pombos brancos, cavalos brancos, camaleão, igbin.
Saudemos então o grande senhor da vida!
Salve o grande guerreiro branco que desconhece à derrota!
Saudemos ao amanhecer do dia, quando surgirem os primeiros raios de vida e de luz!

 

 

 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

OXAGUIÃ

 

Exê êêê

Oxaguiã era o filho de Oxalufã.

Ele nasceu em Ifé, bem antes de seu pai tornar-se o rei de Ifan.

Oxaguiã, valente guerreiro, desejou, por sua vez, conquistar um reino.

Partiu, acompanhado de seu amigo Awoledjê.

Oxaguiã não tinha ainda este nome. Chegou num lugar chamado Ejigbô e aí tornou-se Elejigbô (Rei de Ejigbô). Oxaguiã tinha uma grande paixão por inhame pilado, comida que os iorubás chamam iyan. Elejigbô comia deste iyan a todo momento; comia de manhã, ao meio-dia e depois da sesta; comia no jantar e até mesmo durante a noite, se sentisse fazio seu estômago! Ele recusava qualquer outra comida, era sempre iyan que devia ser-lhe servido.

Chegou ao ponto de inventar o pilão para que fosse preparado seu prato predileto! Impressionados pela sua mania, os outros orixás deram-lhe um cognome: Oxaguiã, que significa "Orixá-comedor-de-inhame-pilado", e assim passou a ser chamado.

Awoledjê, seu companheiro, era babalaô, um grande advinho, que o aconselhava no que devia ou não fazer. Certa ocasião, Awoledjê aconselhou a Oxaguiã oferecer: dois ratos de tamanho médio; dois peixes, que nadassem majestosamente; duas galinhas, cujo fígado fosse bem grande; duas cabras, cujo leite fosse abundante; duas cestas de caramujos e muitos panos brancos. Disse-lhe, ainda, que se ele seguisse seus conselhos, Ejigbô, que era então um pequeno vilarejo dentro da floresta, tornar-se-ia, muito em breve, uma cidade grande e poderosa e povoada de muitos habitantes.

Depois disso Awoledjê partiu em viagem a outros lugares. Ejigbô tornou-se uma grande cidade, como previra Awoledjê. Ela era arrodeada de muralhas com fossos profundos, as portas fortificadas e guardas armados vigiavam suas entradas e saídas.

Havia um grande mercado, em frente ao palácio, que atraía, de muito longe, compradores e vendedores de mercadorias e escravos. Elejigbô vivia com pompa entre suas mulheres e servidores. Músicos cantavam seus louvores. Quando falava-se dele, não se usava seu nome jamais, pois seria falta de respeito. Era a expressão Kabiyesi, isto é, Sua Majestade, que deveria ser empregada.

Ao cabo de alguns anos, Awoledjê voltou. Ele desconhecia, ainda, o novo esplendor de seu amigo. Chegando diante dos guardas, na entrada do palácio, Awoledjê pediu, familiarmente, notícias do "Comedor-de-inhame-pilado". Chocados pela insolência do forasteiro, os guardas gritaram: "Que ultraje falar desta maneira de Kabiyesi! Que impertinência! Que falta de respeito!" E caíram sobre ele dando-lhe pauladas e cruelmente jogaram-no na cadeia.

Awoledjê, mortificado pelos maus tratos, decidiu vingar-se, utilizando sua magia. Durante sete anos a chuva não caiu sobre Ejigbô, as mulheres não tiveram mais filhos e os cavalos do rei não tinham pasto. Elejigbô, desesperado, consultou um babalaô para remediar esta triste situação. "Kabiyesi, toda esta infelicidade é consequência da injusta prisão de um dos meus confrades! É preciso soltá-lo, Kabiyesi! É preciso obter o seu perdão!"

Awoledjê foi solto e, cheio de ressentimento, foi-se esconder no fundo da mata. Elejigbô, apesar de rei tão importante, teve que ir suplicar-lhe que esquecesse os maus tratos sofridos e o perdoasse.

"Muito bem! - respondeu-lhe. Eu permito que a chuva caia de novo, Oxaguiã, mas tem uma condição: Cada ano, por ocasião de sua festa, será necessário que você envie muita gente à floresta, cortar trezentos feixes de varetas. Os habitantes de Ejigbô, divididos em dois campos, deverão golpear-se, uns aos outros, até que estas varetas estejam gastas ou quebrem-se".

Desde então, todos os anos, no fim da sêca, os habitantes de dois bairros de Ejigbô, aqueles de Ixalê Oxolô e aqueles de Okê Mapô, batem-se todo um dia, em sinal de contrição e na esperança de verem, novamente, a chuva cair.

A lembrança deste costume conservou-se através dos tempos e permanece viva, tanbém, na Bahia.

Por ocasião das cerimônias em louvor a Oxaguiã, as pessoas batem-se umas nas outras, com leves golpes de vareta... e recebem, em seguida, uma porção de inhame pilado, enquanto Oxaguiã vem dançar com energia, trazendo uma mão de pilão, símbolo das preferências gastronômicas do Orixá "Comedor-de-inhame-pilado."

Exê ê! Baba Exê ê!

 

(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Editora Currupio)

 

 

Oxaguiã inventa o pilão

 

Oxalá, rei de Ejigbô, vivia em guerra.
Ele tinha muitos nomes, uns o chamavam de Elemoxó, outros de Ajagunã, ou ainda Aquinjolê, filho de Oguiriniã.
Gostava de guerrear e de comer.
Gostava muito de uma mesa farta.
Comia caracóis, canjica, pombos brancos, mas gostava mais de inhame amassado.
Jamais se sentava para comer se faltasse inhame.
Seus jantares se estavam sempre atrasados, pois era muito demorado preparar o inhame.
Elejigbô, o rei de Ejibô, estava assim sempre faminto, sempre castigando as cozinheiras, sempre chegando tarde para fazer a guerra.
Oxalá então consultou os babalaôs, fez oferendas a Exu e trouxe para humanidade uma nova invenção.
O rei de Ejigbô inventou o pilão e com o pilão ficou mais fácil preparar o inhame e Elejigbô pôde se fartar e fazer todas as suas guerras.
Tão famoso ficou o rei por seu apetite pelo inhame que todos agora o chamam de "Orixá Comedor de Inhame Pilado", o mesmo que Oxaguiã na língua do lugar.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.488)

 

 

Oxaguiã manda libertar o amigo preso injustamente


O filho de Oxalá tornou-se um guerreiro forte e decidiu um dia conquistar um reino para si.
Partiu em companhia de seu amigo Auoledjê.
Conquistou Ejigbô, tornando-se seu rei, Elejigbô.
O rei tinha uma grande paixão, comer inhame pilado.
e comia com gula, tanto que o chamavam Oxaguiã, que quer dizer "Oxalá Comedor de Inhame Pilado".
Um dia Auoledjê, que era grande babalaô, precisou partir de Ejigbô.
Antes disso, aconselhou Oxaguiã que fizesse oferendas, que tornariam o reino próspero.
Assim, como previa Auoledjê, Ejigbô tornou-se uma grande cidade, rica e bem guardada pelos bravos soldados de Oxaguiã.
O rei Elejigbô vivia em fausto entre seus súditos, por quem era chamado de "Kabiyesi", que é o mesmo que Sua Majestade.
Na intimidade os amigos o chamavam de "Comedor de Inhame Pilado", mas em público isso era uma heresia.
anos mais tarde, Auoledjê retornou a Ejigbô.
ao adentrar a cidade, procurou logo por Oxaguiã.
"Onde está o Comedor de Inhame Pilado?", perguntou.
Os soldados, que não o conheciam, ficaram furiosos com tamanha insolência.
Isso era jeito de se referir ao rei?
Prenderam e maltrataram o desconhecido amigo de Kabiyesi.
Auoledjê ressentiu-se da humilhação.
Com seus poderes mágicos, vingou-se.
Durante sete anos todas as catástrofes conhecidas, e não faltando a seca, assolaram o reino de Oxaguiã.
Oxaguiã, desesperado, procurou os adivinhos.
E pelo oráculo eles viram a prisão de Auoledjê.
Um amigo de rei estava preso injustamente.
Oxaguiã correu para prisão para libertar o velho amigo.
Oxaguiã libertou-o, mas ainda ressentido, escondeu-se na mata.
Elejigbô buscou o velho amigo, suplicando seu perdão.
Auoledjê cedeu com uma condição: que nuca aquele povo se esquecesse dessa injustiça.
Todos os anos o povo deveria flagelar-se, em memória do funesto acontecido.
Assim, todos os anos, O rei deveria mandar pessoas à floresta cortar varetas.
Os súditos, divididos em dois grupos, tomariam as varas, simulariam golpes uns nos outros, sem parar, até que as varetas se quebrassem.
Para que nunca se esquecessem daquela injustiça praticada contra o amigo de Oxaguiã.
Assim foi feito e o reino de Oxaguiã voltou à tranqüilidade e Oxaguiã foi o maior dos reis de Ejigbô.
Quando ele foi para o Orum, transformado em orixá, seu culto não se esqueceu do velho amigo babalaô.
Coma s varetas de Oxaguiã, com atoris, seus adeptos renovam sempre a memória da injustiça, para que ela não volte a acontecer.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.492)

 

 

ERVAS______________________________________________________________________

 

Alecrim de Caboclo - Erva de Oxalá, porém mais exigido nas obrigações de Oxóssi. Não possui uso na medicina popular.
Alecrim de Tabuleiro - Erva empregada nas obrigações, nos abô e é um maravilhoso afugentador de larvas astrais, razão pela qual deve-se usá-lo nos defumadores, quer das casas de culto. Não possui uso na medicina popular.
alecrim.jpg (10913 bytes)Alecrim do Campo - Seu uso se restringe a banhos de limpeza. É muito usado nas defumações de terreiros de Umbanda. Em seu uso medicinal resolve o reumatismo, aplicado em banhos.
Araçá - As folhas são aplicadas em quaisquer obrigações de cabeça e nos abô. Usada de igual sorte nos banhos de purificação. O povo indica esta espécie como um energético adstringente. Cura desarranjos intestinais e põe fim às cólicas. Usam-se folhas e cascas em cozimento.
Barba de Velho - Aplicadas em todas as obrigações de cabeça referentes a qualquer orixá. Usa-se também após as defumações pessoais feitas após o banho. A medicina caseira indica seu uso tópico no combate às hemorróidas.
Calistemo Fênico - É uma extraordinária mirtácea que entra em qualquer obrigação de cabeça, bori, feitura de santo, lavagem de contas, tiragem de Zumbi ou tiragem da mão de cabeça. Medicinalmente é usada em doenças do aparelho respiratório, bronquites, asma e tosses rebeldes. Aplica-se o chá.
Carnaúba - Só tem aplicação em abô feito da folha, que basta para cobrir a cabeça e, depois, cobrir-se a cabeça durante doze horas, fugindo aos raios solares. É fortalecimento da aura e alimento da cabeça. A vela de cera de carnaúba é a melhor iluminação para o orixá.
Cinco Folhas - Aplicada em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de descarrego. A medicina caseira indica esta erva como eficaz depurativo do sangue.
Colônia - Possui aplicação em todas as obrigações de cabeça. Indispensável nos abô e nos banhos de limpeza de filhos-de-santo. Aplicada, também, na tiragem de iaô, para o que se usa o sumo. Como remédio caseiro põe fim aos males do estômago. Usado como chá (pendão ou cacho floral).
ervadebicho.jpg (68284 bytes)Erva de Bicho - Usada em banhos de purificação de filhos-de-santo, quaisquer que sejam e que vão submeter-se a obrigações de santo ou feitura de santo. É positiva a limpeza que realiza e possante destruidora de fluidos negativos. O povo indica esta planta em cozimento (chá) a fim de curar afecções renais.
Funcho.jpg (19588 bytes)Funcho - Empregada em todas as obrigações de cabeça, nos abô e em banhos de limpeza. O povo dá-lhe bastante prestígio como excitante e para as mulheres aumentarem a secreção de leite. Eficaz na liberação de gases intestinais, cólicas, diarréias, vômitos. É usado no tratamento dos males aqui referidos quando se trata de crianças.
Golfo de flor branca - Planta aplicada em obrigações de cabeça, ebori e banhos dos filhos de Oxalá. O povo indica suas raízes como adstringente e narcóticas, mas lavadas, debelam a disenteria e, as flores, as úlceras e leucorréia.
guacocheiroso.jpg (37874 bytes)Guaco cheiroso - Aplica-se nas obrigações de cabeça e em banhos de limpeza. Popularmente, esta erva é conhecida como coração de Jesus. Medicinalmente, combate as tosses rebeldes e alivia bronquites agudas, usando-se o xarope. Como antiofídico (contra o veneno de cobra), usam-se as folhas socadas no local e, internamente, o chá forte.
Jasmim do Cabo - Seu uso restringe-se ao adorno de pejis em jarra ladeando Oxalá. Não possui uso na medicina popular.
Laranjeira - As flores são aplicadas nas obrigações de ori. São também indicadas em banhos. Para o povo, o chá desta erva é um excelente calmante.
Lírio do Brejo - Usam-se as folhas e flores nas obrigações de ori, nos abô e nos banhos de limpeza ou descarrego. O povo emprega o chá das raízes como estomacal e expectorante.
Narciso dos Jardins - Esta erva é somente usada para o assentamento. A medicina caseira o tem como planta venenosa.
nozdecola.jpg (16035 bytes)Noz de Cola - Erva indispensável nos banhos dos filhos de Oxalá. Para o banho, rala-se a semente, o obi, misturando-se com água de chuva. A medicina popular indica esta erva como tônico fortificante do coração. É alimento destacado em face de diminuir as perdas orgânicas, regulando o sistema nervoso.
Patchuli - Erva usada em todas as obrigações de ori, bori, feitura de santo, lavagem de contas. É parte dos abô que se aplicam aos filhos-de-santo. A medicina popular indica o patchuli como possuidor de um principio ativo que é inseticida.
poejo.jpg (42049 bytes)Poejo - Entra em todas as obrigações de ori de filhos-de-santo, quaisquer que sejam os orixás dos referidos filhos. Popularmente, atenua os males do aparelho respiratório aconselhando o uso do cozimento das folhas e ramos. Muito eficaz nas perturbações da digestão, usando-se o chá.
rosabranca.jpg (43287 bytes)Rosa Branca - Participa de todas as obrigações de cabeça. Usa-se, inicialmente, na lavagem do ori, ato preparatório para feitura. O povo consagrou-a como laxativo branco e aplicável no tratamento da leucorréia (corrimento) sob forma de lavagens e chá ao mesmo tempo. Como laxativo, é aplicado o chá.
Saião - Entra em todas as obrigações de cabeça, quaisquer que sejam os filhos e os orixás. Utilizada também no sacrifício ritual. Medicinalmente, é utilizada para evitar a intolerância nas crianças. Dá-se misturado o sumo, com leite. Em qualquer contusão, socam-se as folhas e coloca-se sobre o machucado, protegido por algodão e gaze. Do pendão floral ou da flor prepara-se um excelente xarope que põe fim a tosses rebeldes e bronquites.
Sangue de Cristo - Emprega-se em bori, lavagem de contas e feitura de santo, e usa-se nos abô dos filhos de Oxalá. É conhecido popularmente como adstringente e tônico geral. Usa-se o chá ou cozimento das folhas como contraveneno.
Umbu - Possui aplicação em todos os atos da liturgia afro-brasileira, ebori, abô, feitura de santo e lavagens de cabeça e de contas. Bastante usada com resultados positivos nos abô de ori e nos banhos de purificação. O povo utiliza suas cascas em cozimento, para lavagens dos olhos e para pôr fim às moléstias da córnea.

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________