Xangô


 

TRADIÇÃO_________________________________________________

 

Xangô é a divindade do trovão, luz, fogo e justiça. Ele se veste impecavelmente, como é evidente nos seus ricos trajes cerimônias, e adora usar jóias decorativas. Sua dança é rápida representando sua realeza, natureza guerreira, virilidade e sua relação com a luz. Suas cores são o vermelho e o branco, seu dia é a quarta-feira e sua saudação È “Kawo Kabiyesile ” .

 

 

 

LENDAS_____________________________________________________________________

 

 

Xangô é reconhecido como o orixá da justiça

 

Xangô e seus homens lutavam com um inimigo implacável.
Os guerreiros de Xangô, capturados pelo inimigo, eram mutilados e torturados até a morte, sem piedade ou compaixão.
As atrocidades já não tinham limites.
O inimigo mandava entregar a Xangô seus homens aos pedaços.
Xangô estava desesperado e enfurecido.
Xangô subiu no alto de uma pedreira perto do acampamento e dali consultou Orunmilá sobre o que fazer.
Xangô pediu ajuda a Orunmilá.
Xangô estava irado e começou a bater nas pedras com o oxé, bater com seu machado duplo.
O machado arrancava das pedras faíscas, que acendiam no ar famintas línguas de fogo,
que devoravam os soldados inimigos.
A guerra perdida foi se transformando em vitória.
Xangô ganhou a guerra.
Os chefes inimigos que haviam ordenado o massacre dos soldados de Xangô
foram dizimados por um raio que Xangô disparou no auge da fúria.
Mas os soldados inimigos que sobreviveram foram poupados por Xangô.
A partir daí, o senso de justiça de Xangô foi admirado e cantado por todos.
Através dos séculos, os orixás e os homens têm recorrido a Xangô para resolver todo tipo de pendência, julgar as discordâncias e administrar justiça.

 

(L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.245)

 

 

Xangô faz oferenda e vence os inimigos

 

Xangô vivia entre inimigos.
O que fazer para derrotá-los?
Foi-lhe dito que fizesse um ebó.
Qual sacrifício oferecer?
O babalaô disse que oferecesse muitos búzios.
Ele devia oferecer dois galos, dois pombos, doze pedras, doze pavios de lamparina e doze bastões.
Xangô reuniu essas coisas e fez o sacrifício, que apaziguou os deuses.
Xangô terminou o sacrifício e voltou à guerra com os inimigos.
No pavio da lamparina, Xangô acendeu o fogo que jorrou de sua boca.
Ele trazia na mão o machado duplo de fazer trovão e ninguém mais podia enfrentá-lo.
Xangô venceu.
Quando Xangô chegou da guerra, todos o aclamavam:
"Kawô, Xangô! Salve Xangô!".
"Kabyesi, kawô! Abram alas para sua majestade!"
"E kabó! Bem-vindo! Bem-vindo!"
Todos aqueles que nunca haviam saudado Xangô também agora o faziam com muito entusiasmo.
Eles o saudavam.
Xangô dançava em regozijo.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.250)

 

 

Xangô é salvo por Oiá da perseguição dos eguns


Xangô tinha pavor da morte.
Xangô tinha horror dos mortos.
Xangô temia os eguns mais que qualquer coisa.
Certa vez Xangô viu-se perseguido pelos eguns.
Sua mulher Oiá foi em seu socorro.
Ela conhecia um meio de acabar com aquela situação.
Deu a Xangô nove espelhos onde ele faria os eguns verem refletida suas próprias imagens.
Sabia Oiá que a morte não suportava ver-se frente a frente, tal sua feiúra.
Quando os eguns acercaram-se de Xangô, Xangô os recebeu com espelhos.
Os eguns se viram e se apavoraram.
A visão era horrível.
Os eguns saíram em disparada.
Xangô os perseguiu sem trégua.
Foram vencidos por Xangô com a ajuda de Oiá.
 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.257)

 

 

Xangô é condenado por Oxalá a comer como os escravos


Xangô Airá, aquele que se veste de branco, foi um dia às terras do velho Oxalá para levá-lo à festa que faziam em sua cidade.
Oxalá era velho e lento, por isso Xangô Airá o levava nas costas.
Quando se aproximavam do destino, viram a grande pedreira de Xangô, bem perto de seu grande palácio.
Xangô levou Oxalufã ao cume, para dali mostrar o velho amigo todo o seu império.
E foi de lá de cima que Xangô avistou uma belíssima mulher mexendo sua panela.
Era Oiá!
Era o amalá do rei que ela preparava!
Xangô não resistiu a tamanha tentação.
Oiá e amalá! Era demais para sua gulodice, depois de tanto tempo pela estrada.
Xangô perdeu a cabeça e disparou caminho abaixo, largando Oxalufã em meio às pedras, rolando na poeira, caindo pelas valas.
Oxalufã se enfureceu com tamanho desrespeito e mandou muitos castigos, que atingiram diretamente o povo de Xangô.
Xangô, muito arrependido, mandou todo povo trazer água fresca e panos limpos.
Ordenou que banhassem e vestissem Oxalá.
Oxalufã aceitou todas as desculpas e apreciou o banquete de caracóis e inhames, que por dias o povo lhe ofereceu.
Mas Oxalá impôs um castigo eterno a Xangô.
Ele que tanto gosta de fartar-se de boa comida.
Nunca mais pode Xangô comer em prato de louça ou porcelana.
Nunca mais pode Xangô comer em alguidar de cerâmica.
Xangô só pode comer em gamela de pau, como comem os bichos da casa e o gado e como comem os escravos.

 

(Mitologia dos Orixás,2001,pp.280)

 

 

(1)

 

Quando Xangô pediu Oxum em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela, Oxalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudesse assistir ao casamento. Xangô, muito esperto, prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois se casaram. Então, Xangô arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas. Colocando-o no pescoço, foi dizer a Oxum: "- Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre.

 

 

(2)

 

Xangô vivia em seu reino com suas 3 mulheres ( Iansã, Oxum e Obá ), muitos servos, exércitos, gado e riquezas. Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com Iansã; ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes. Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram o céu. Quando tudo se acalmou, Xangô olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido. Ele e Iansã correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém. Desesperado, Xangô bateu com os pés no chão e afundou pela terra; Iansã o imitou. Oxum e Obá viraram rios e os 4 se tornaram Orixás.

 

 

 

ERVAS______________________________________________________________________
 

alevante2.jpg (19399 bytes)Alevante – Levante: Usada em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de limpeza de filhos de santo. Não possui uso na medicina popular.
Alfavaca roxa: Empregada em todas as obrigações de cabeça e nos abô dos filhos de Xangô. Muito usada em banhos de limpeza ou descarrego. A medicina caseira usa seu chá em cozimento, para emagrecer.
Angelicó - Mil Homens: Tem grande aplicação na magia de amor, em banhos de mistura com manacá (folhas e flores), para propiciar ligações amorosas, aproximando os sexo masculino. A medicina caseira aplica-o como estomacal, combatendo a dispepsia. As gestantes não a devem usar.
Aperta ruão: Os babalorixás a utilizam nas obrigações de cabeça. Tem grande prestígio na medicina popular como adstringente. As senhoras a empregam em banhos semicúpios, de assento, e em lavagens vaginais para dar fim à leucorréia.
Caferana Alumã: São utilizadas nas aplicações de cabeça e nos abô. Usado na medicina popular como: laxante, fazendo uma limpeza geral no estômago e intestinos, sem causar danos; é ótima combatente de febres palustres ou intermitentes; poderoso vermífugo e energético tônico.
Cavalinha – Milho de cobra: Aplicada nas obrigações de cabeça, nos abô e como axé nos assentamentos do orixá. Não possui uso na medicina popular.
mulungu1.jpg (8126 bytes)Eritrina – Mulungu: Tem plena aplicação nas obrigações de cabeça e nos banhos de limpeza dos filhos de Xangô. Na medicina caseira é aplicada como ótimo pacificador do sistema nervoso propiciando sono tranqüilo, também, contra a bronquite, tem ação eficaz no tratamento do fígado, das hepatites e obstruções. Usa-se o chá.
ervasaojoao.jpg (14727 bytes)Erva de São João: Utilizada nas obrigações de cabeça e nos banhos de descarrego. A medicina caseira, indica-a como tônico para combater as disenterias. Aplicam-se no tratamento do reumatismo. Usa-se o chá em banhos.
Erva-grossa – Fumo-bravo: Empregada nas obrigações de cabeça, particularmente nos obori e como axé do Orixá. A medicina caseira indica as raízes em cozimento, como antifebril, as mesmas em cataplasmas debelam tumores. As folhas agem como tônico combatendo o catarro dos brônquios e pulmões.
Morangueiro: Aplicação restrita, já que se torna difícil encontrá-la em qualquer lugar. O povo a indica como remédio diurético, pondo fim aos males dos rins. É usada para curar disenterias e também recuperar pessoas que carecem de vitamina C no organismo.
Musgo-da-pedreira: Tem aplicação nos banhos de descarrego e nas defumações pessoais, que são feitas após o banho. A defumação se destina a aproximar o paciente do bem.
negamina2.jpg (25685 bytes)Nega-mina: Inteiramente aplicada nas obrigações de ori, e nos banhos de descarrego ou limpeza e nos abo dos filhos do trovão. O povo a aplica como debeladora dos males do fígado, das cólicas hepáticas e das nevralgias.
Noz-moscada: Seu uso ritualístico se limita a utilização do pó que, espalhado ao ambiente, exerce atividade para melhoria das condições financeiras. É também usado como defumador. Este pó, usado nos braços e mãos ao sair à rua, atrai fluidos benéficos. Não possui uso na medicina popular.
Panacéia – Azougue-de-Pobre: Entra nas obrigações de ori e nos banhos de descarrego ou limpeza. O povo a aponta como poderoso diurético e de grande eficácia no combate à sífilis, usando-se o chá. É indicada também no tratamento das doenças de pele, e ainda debelar o reumatismo, em banhos.
Pau-de-colher – Leiteira: Usada em banhos de purificação de mistura com outras espécies dos mesmos orixás. A medicina caseira a recusa por tóxica, porém pode perfeitamente ser usada externamente em banhos.
Pau-pereira: Não é aplicada nas obrigações de ori, mas é usada em banhos de descarrego ou limpeza. O povo a aplica nas perturbações do estômago e põe fim a falta de apetite. É fortificante e combate febres interminentes, e ainda tem fama de afrodisíaco.
pessegueiro.jpg (13262 bytes)Pessegueiro: É utilizado flores e folhas, em quaisquer obrigações de ori. Pois esta propicia melhores condições mediúnicas, destruindo fluidos negativos e Eguns. O povo a indica em cozimento para debelar males do estômago e banhar os olhos, no caso de conjuntivite.
Sensitiva – Dormideira: Somente é utilizada em banhos de descarrego. O povo diz possui extraordinários efeitos nas inflamações da boca e garganta. Utiliza-se o cozimento de toda a planta para gargarejos e bochechos.
Taioba: Sem aplicação nas obrigações de cabeça. Porém muito utilizada na cozinha sagrada de Nzazi. Dela prepara-se um esparregado de erê (muito conhecido como caruru) esse alimento leva qualidades de verduras mas sempre tem a complementá-lo a taioba. O povo utiliza suas folhas em cozimento como emoliente; a raiz é poderoso mata-bicheiras dos animais e, além de matá-las, destrói as carnes podres, promovendo a cicatrização.
Tiririca: Sem aplicação ritualística, a não ser as batatas aromáticas, essas batatinhas que o povo apelidou de dandá-da-costa, levadas ao calor do fogo e depois reduzidas a pó que, misturado com outros, ou mesmo sozinho, funciona como pó de dança. Para desocupação de casas. Colocados em baixo da língua, afasta eguns e desodoriza o hálito. Não possui uso na medicina popular.
Umbaúba: Somente é usada nos obori a espécie prateada. As outras espécies são usadas nos sacudimentos domiciliares ou de trabalho. O povo a prestigia como excelente diurético. É aconselhado não usar constantemente esta erva, pois o uso constante acelera as contrações do coração.
Urucu: Desta planta somente são utilizadas as sementes, que socadas e misturadas com um pouquinho de água e pó de pemba branca, resulta numa pasta que se utiliza para pintar a Yawô. O povo indica as sementes verdes para os males do coração e para debelar hemorragias.

 

 

 

IGUARIAS___________________________________________________________________

 

 

Amalá para Xangô

 

Ingredientes: 500gr de quiabo; 1 rabada cortada em doze pedaços; 1 cebola; 1 vidro de azeite de dendê; 250g de fubá branco.


Modo de preparo: Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas, junte a rabada cozida .Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.

 

 

 

CURIOSIDADES_______________________________________________________________

 

 

Canto de Xangô > <

 

 

Xangô, Deus do Fogo 

 

 

Máximo Postal emitido em 1982 que mostra o "Orixá Xangô" - CBC Salvador - Bahia (BA) e Selo emitido em 21/08/1982 da série de selos postais "Indumentárias de Orixás", com valor facial de 20,00 cruzeiros (C-1274/C-1276)