Cargos


 

TERREIRO

Uma casa de santo pode existir em qualquer espaço, desde que tenha ligação com a terra, neste espaço existem pontos, instalados pelo pai ou mãe de santo, que todo terreiro deve ter. Sendo uma religião iniciática, o acesso a certos espaços do terreiro, como por exemplo, pejis, roncó, cozinha, está vinculado ao conhecimento da religião que o indivíduo tem. Apenas os ebomis transitam livremente por todos estes espaços.

O candomblé ainda necessita de outros espaços para realização de seus rituais e por ser também uma religião tribal, originária de sociedades agrárias, sua relação com a natureza, do ponto de vista dos rituais se encontra bastante prejudicada em grandes cidades como São Paulo, por exemplo.Tornam –se necessárias adaptações, substituições, muito lamentadas pelos sacerdotes.

 

Para existir um Inzô, casa de candomblé, é necessário um Babalorixá ou Iyalorixá, competente, iniciado dentro dos preceitos, seguindo rigidamente ao longo dos seus anos de iniciação e acima de tudo, possuindo o axé necessário para desenvolvimento das suas atribuições, atributos esses consignados por seu iniciador.

Em alguns casos, em decorrência da não organização dos adeptos, muitos por conveniência, tem casas que são verdadeiros comércios (não pelo fato de cobrarem algum benefício financeiro para sua manutenção e sustento) pelo exagero dos valores pedidos, se aproveitando do medo e da inocência de algumas pessoas, outras instituem total libertinagem por conveniência de seus comandantes e comandados, outras pela sua ignorância ou mal iniciação, em vez de ajudarem acabam causando um mal maior, e, infelizmente somos abrigados a conviver com essas situações que denigrem como um todo a nação candomblecista. Mas como Oxalá é sublime essas barreiras de alguma forma são superadas, não colocando em risco a religião yorubá, e tão somente fornecendo subsídios à algumas alas de algumas Igrejas, que se aproveitam desses casos de exceções para se enaltecerem e nos escrachar, com objetivos de "angariar" mais fiéis, visando uma melhoria de arrecadação, mas como Deus é único, de alguma forma nos protege e seguimos adiante.

As pessoas que frequentam uma casa de candomblé, basicamente são: praticantes, simpatizantes e usuários. A procura por esta religião tanto para prática como consulta, muito é em virtude de um atendimento pessoal e individualizado, em que as pessoas tem uma participação ativa, naquele instante a pessoa não é uma a mais numa multidão, mas o centro das atenções, de uma forma que possa canalizar toda sua fé, para obtenção do seu objetivo, e frise-se, a fé é fundamental e necessária para qualquer intento, onde cada um deve fazer o melhor possível a sua parte, no caso de quem está sofrendo a ação, comparecer fisicamente com o material no dia e hora marcado, quando solicitado ou orientado para tal, e fazê-lo com muita fé e dedicação.

Hierarquia rígida é o instrumento que mantém permanentes as instituições, como o Estado, o exército, a religião... sua tradução literal expressa: ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos, civis e militares; graduação de autoridade, correspondente às várias categorias.

Em princípio, é o tempo de iniciação religiosa que conta, vale o ditado - antiguidade é posto - seguido do Oye (cargo) que a pessoa ocupe; o mais velho é sempre o mais velho, não importa que mais moço tenha seu cargo religiosos de maior importância; exceção única, feita ao Babalorixá ou Yalorixá, que por poder absoluto, está acima de todo e qualquer outro.

De casa para casa ou de nação para nação, variam os cargos e seus nomes, e um ou outro detalhe da escala hierárquica, Via de regra são:

Abians - por exprimir uma vontade de participar, ou escolhido a fazer parte da comunidade, recebe do babalorixá, um fio de contas "lavado" (colar ritual, símbolo do orixá do neófito), ou tenha se submetido a um bori (dar "comida" à ori , cabeça física e astral); participam no Ilê, ajudando com tarefas civis, nas festas, na limpeza e arrumação e decoração do barracão, preparo de café e almoço, alguma ajuda na cozinha ritual, onde são preparadas as oferendas dos orixás e demais tarefas afins.

Iyawô - o iniciado, também chamado de adoxú (aquele que levou adoxum ), neste período não lhes são revelados segredos, ficará recluso alguns (que variam de 7 a 21, conforme sua nação), num lugar chamado roncó ou camarinha, um quarto fechado, com algumas esteiras, é confiado aos cuidados do seu ojúbonà (pai-pequeno ou pai-criador) que o auxiliará e ensinará alguns comportamentos durante todo período da iniciação, o qual juntamente com o iniciado, manterá resguardo neste período. Em um primeiro momento é feita a raspagem do cabelo, símbolo de submissão e humildade e preparo do oxú (o alto da cabeça, a moleira astral, chacra principal do corpo humano) para as obrigações principais. Neste período o iniciado tem como objetivo principal receber axé, a qual será responsável, pelo seu aumento e manutenção, através da rígida observância, da sua conduta ritual.

Completados sete anos de iniciação, os iyawôs , após fazem sua "obrigação" ritualística que os 7 anos requer, tornam-se ègbónmí (egbomi - "irmão mais velho"), e tem direito a Ter seu próprio Ilê com a benção e autorização do seu babalorixá, bem como poderá fazer parte do grupo dos Oloiês. - Oloiês`-, podem adoxús ou não-adoxús; os OGÃS, que quer dizer - chefe - podendo em alguns casos, ter seus otuns e osis ; os postos de AXOGUN, ALABÊ, OGOTUN, AFICODÉ, IPERILODÉ, ELEMOXÓ, ILÊIGBÓ, PEJIGAN em paralelo a IYAEGBÉ, IYAKEKERÉ (mãe pequena), BABÁKEKERÊ (pai pequeno), YIÁMORÔ, AJOIÊ ou EKÉDE, DAGÃ, SIDAGÃ, em casa de Xangô, o cargo da KOLABÁ, a IYÁ SIHA (relacionado a um ato litúrgico de Oxalá), IYÁEFUN(BABÁ), IYÁLOSSAIN (BABÁ), IYÁBASÉ.

Mais especificamente no ILÊ AXÉ OPÔ AFONJÁ tem os OBÁS DE XANGÔ, seis da direita (otuns), com voz e voto; seis da esquerda (osis) somente com voz. - Agbá - duas condições a um só tempo: a) antiguidade iniciática (mais de 50 anos); b) antiguidade cronológica (mais de 60 anos). - Iyálorixá - (Iyálaxé)/Babalorixá. Uma fila hierárquica, a exemplo da que acontece nas "Águas de Oxalá" assim e procede: Iyálorixá (babá), seguindo os demais Adoxú, quer sejam oloiês ou não, de acordo com o tempo de iniciação, sempre o mais velho na frente do mais moço, sendo a segunda da fila a(o) Iyáegbé (mais velho(a) adoxú do axé e segue a fila de acordo com o tempo de iniciação, atrás do último adoxú, alternando-se ogans e ajoiés, de acordo com o tempo de confirmação, atrás virão ao abians.

O mais velho é tudo; sempre se é iyawô para o imediato "mais velho", no próprio "barco" (mais de um iniciado recolhido ao roncó para iniciação) de iyawôs encontramos a figura do mais velho, chamado dofono , e sucessivamente dofonitinho, fomo, fomotinho, gamo gamotinho... ao dofono é aquele a quem se pede a benção em primeiro lugar, devendo, este, contudo, ser o primeiro a servir seus demais irmãos mais moços. É muito importante o mais velho se colocar no difícil papel; é o responsável - sem que muitas vezes saiba - pelo futuro do seu mais novo, seus anseios, esperanças, fantasias...

 

"O som é a primeira relação com o mundo, desde o ventre materno. Abre canais de comunicação que facilitam o tratamento. Além de atingir os movimentos mais primitivos, a música atua como elemento ordenador, que organiza a pessoa internamente".

Os três atabaques que fazem soar o toque durante o ritual também são responsáveis pela convocação dos Orixás. O rum funciona como solista, marcando os passos da dança. Os outros dois, o rumpi e o lé, reforçam a marcação, reproduzindo as modulações da língua africana iorubá - uma língua cantada, como o sotaque baiano. Além dos atabaques, usam-se também o agogô e o xequerê.

  • Runtó (Geralmente um Cargo Masculino dos Candomblés Jeje e Mina)

  • Alabê (Um tipo de Ogã dos Candomblés seguidores da Nação Ketu, amplo modelo Yoruba)

  • Xicaringome (Cargo Masculino comum dos terreiros de Candomblé Angola e alguns Angola-Congo)

São, ao todo, mais de quinze ritmos diferentes. Cada Casa de Santo tem até 500 cânticos. Segundo a fé dos praticantes, os versos e as frases rítmicas, repetidos incansavelmente, têm o poder de "captar" o mundo sobrenatural.

 

  • Olóyès , Ogãns e Àjòiès

  • Iyalorixá/Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo, é o posto mais elevado do ILê; tem a função de iniciar e completar o ato de iniciação dos olorixás.

  • Iyaegbé/Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia. Posto paralelo ao da Iyalorixá ou Babalorixá.

  • Iyalaxé: Mãe do axé, a que distribui o axé. É quem escolhe os Oloyes de acordo com as determinações superiores.

  • Iyakekere: Mãe pequena do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos no Ilê.

  • Ojubonã: É a mãe criadeira.

  • Iyamoro: Responsável pelo Ipadê de Exú. Junto com a Agimuda, Agba e Igèna.

  • Iyaefun/Babaefun: Responsável pela pintura dos Iyawos.

  • Iyadagan: Auxilia a Iyamoro e vice-versa. Também possui sub-postos Otun-Dagan e Osi-dagan.

  • Iyabassé: Responsável no preparo dos alimentos sagrados. Todos Olorixás podem auxiliá-la, sendo ela a única responsável por qualquer falha eventual.

  • Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. E usa toalha de Orixá no ombro.

  • Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos em obrigações de "cantar folhas". Geralmente filhas de Oxum.

  • Aiybá: Bate o ejé em grandes obrigações. Tem sub-posto Otun e Osi.

  • Ològun: Cargo masculino, despacha aos Ebós das grandes obrigações, a preferência é para os filhos de Ogun, depois Odé e Oluwaiyê.

  • Oloya: Cargo feminino, despacha os Ebós das grandes obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.

  • Mayê: Mexe com as coisas mais secretas do Axé, ligadas a iniciação do Adoxú.

  • Agbeni Oyê: Posto paralelo a Mayê, divide a mesma causa.

  • Oyê: Se relaciona com a Yaefun/Babaefun; ou seja, coisas de AWO para iniciação.

  • Olopondá: Grande responsabilidade na inicição, no âmbito altamente secreto.

  • Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar de obrigação.

  • Kólàbá: Responsável pelo Làbá, simbolo de Xângo.

  • Agimuda: Relação com o Ipadê de Exú. Aquela que carrega a espada. Titulo feminino usado no culto de Oya e Geledé.

  • Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.

  • Iyasíhà Aiyabá: é quem segura o estandarte de Oxalá.

  • Omolàra: Posto de confiança.

  • Sarapegbé: Mensageiro de coisas civis e de awo.

  • Akòwé Ilê Xangô: É a Secretária da casa de Xângo. Zelo, Orô e compras.

  • Babalossayn: Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.

  • Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Traz axé de Ogun. Trabalha em conjunto com Iyalorixá/Babalorixá, Oloyês e Ogans. Não pode errar. Responsável direto pelos sacrifícios do ínicio ao fim do ato. Soberano nestas obrigações, é quem se comunica com o Orixá para quem se destina a obrigação, transmitindo à Iyalaxé as respostas e mandamentos. Deve ser chamado de Pai. E também possui sub-posto Otun e Osi.

  • OgaláTebessê: Dono dos toques, cânticos e danças. Trabalha em conjunto com o Alagbê, possui sub-posto Otun e Osi.

  • Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos Ilùs, os instrumentos musicais sagrados. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a ALVORADA mais ou menos 40 min. Se um autoridade de outro Axé chegar ao Ilê, o Alagbê, tem de lhe prestar as devidas homenagens "dobrar o Ilù" oferecer até sua própria cadeira. Também possui sub-posto Otun e Osi.

  • Alagbá: Ambito civil do Axé.

  • Àjòiè: Camareira do Orixá. Ekédi.

  • Ojuoba: Posto de honra no Ilê Xangô e possui sub-posto Otun e Osi.

  • Teololá: Aquela que acompanha os Obas de Xangô.

  • Sobalóju: Título masculino e feminino. Sendo o mais importante e atraente, o preferido do rei.

  • Mawo: Grande confiança.

  • Balógun: Título ligado ao Ilê Ogun.

  • Alagada: Ogan que cuida das ferramentas de Ogun.

  • Balóde: Ogan de Odé.

  • Aficodé: Chefe do Aramefá (6 corpos) ligado ao Ilê Odé.

  • Ypery: Ogan ou Àjòiè de Odé

  • Alajopa: Pessoa de Odé, que leva a caça para ele.

  • Alugbin: Ogan de Oxalufan e Oxaguian que toca o Il¦ù dedicado a Oxalá.

  • Assogbá: Ogan ligado ao Ilê Omolú e cultos de Obaluaiye, Nanã, Egun e Exú.

  • Alabawy: Pessoa que trabalha na área jurídica e que cuida dos interesses civis do Axé.

  • Leyn: Pessoa do Ogun ou Odé, que zela Ogun.

  • Alagbede: Pessoa que trabalha no ramo de ferro e metais e forja as ferramentas do Axé.

  • Elémòsó: Ogan ou Àjòiè de Oxaguian, ligados ao Ilê Oxalá.

  • Gymu: Àjòiè de Omolu, que cuida de tudo que se relaciona a Omolu, Nanã e Ossany.

  • Kaweó: Ligado ao Ilê Ossaiyn.

  • Ogòtún: Ligado ao Ilê Oxun.

  • Oba Odofin: Ligado ao Ilê Oxalá.

  • Iwin Dunse: Ligado ao Ilê Oxalá.

  • Apokan: Ligado ao Ilê Omolú.

  • Abogun: Ogan que cultua Ogun.