Sacrifícios e Sangue
 

    O sacrifício e o sangue no Candomblé está relacionado ao rituais sagrados de feitura e oferendas, é a força vital dos orixás.

    Do animal sacrificado somente os órgãos vitais são oferecidos aos orixás, a carne será consumida por todos dentro da comunidade e a  pele será utilizada nos tambores. Nada é desperdiçado sendo assim não existe crueldade no sacrifício.

    O sangue dentro do Candomblé está distribuído em três categorias vermelho, preto e branco. Os elementos que detém este axé são encontrados nos reinos animal, vegetal e mineral são a parte visível.
    A combinação destes elementos portadores de axé, renovam, a ampliam, distribuem e restabelecem a força vital e a relação entre os homens e os orixás.

    Vermelho:
    O sangue vermelho do reino animal, é importante para os orixá pois está ligado diretamente com a vida humana e animal em todas as suas etapas. No reino vegetal o azeite e o mel. No reino mineral são portadores do sangue vermelho os metais, bronze e o cobre.

    Preto:
    O sangue preto é encontrado ainda no reino animal, nas cinzas dos animais sacrificados. No reino vegetal o sumo das folhas que são utilizadas nos banhos e qualquer outro que for extraído das árvores. No reino mineral o carvão e o ferro.

    Branco:
    No reino animal o caracol oferecido a Oxalá e as secreções e o plasma estão classificadas como portadores do sangue branco. No reino vegetal, o sumo das plantas leitosas e as bebidas extraída da palmeira, da cana e outros vegetais. No reino mineral o sal, o efun (giz), a prata e o chumbo.

 

 

 

Energia mágica, universal sagrada do orixá. Energia muito forte, mas que por si só é neutra. Manipulada e dirigida pelo homem através dos orixás e seus elementos símbolos. O elemento mais precioso do Ilê, é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido, deve ser mantido e desenvolvido, como toda força pode aumentar ou diminuir, essa variação está relacionada com a atividade e conduta ritual. A conduta está determinada pela escrupulosa observação dos deveres e obrigações, de cada detentor de axé, para consigo, ser orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento do axé individual e do grupo, impulsionam o axé de ilê.

O axé dos iniciados está ligado, e diretamente proporcional a sua conduta ritual - relacionamento com seu orixá; sua comunidade; suas obrigações e seu babalorixá. A força do axé é contida e transmitida através de certos elementos e substâncias materiais, é transmitido aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização. O axé está contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal, vegetal e mineral, quer sejam da água - doce ou salgada - da terra, floresta - mato ou espaço urbano. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo.

O "sangue" vermelho:

animal: o sangue.

vegetal: o epô (óleo de dendê), osùn (pó vermelho), aiyn (mel - sangue das flores), favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos (obi, orobô), raízes...

mineral: cobre, bronze, otás (pedras), areia, barro, terra...

O "sangue" branco:

animal: sêmem, saliva, emí (hálito, sopro divino), plasma (em especial do igbin - espécie de caracol -), inan (velas).

vegetal: favas (sementes), seiva, sumo, alcool, bebidas brancas extraídas das palmeiras, yiérosùn (pó claro, extraído do iròsún) ori (espécie de manteiga vegetal), vegetal, legumes, grãos, frutos, raízes...

mineral: sais, giz, prata, chumbo, otás (pedras), areia, barro, terra...

O "sangue" preto:

animal: cinzas de animais.

vegetal: sumo escuro de certas plantas, o ilú (extraído do índigo) waji (pó azul), carvão vegetal, favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes...

mineral: carvão, ferro, osun, otás (pedras), areia, barro, terra...

Existem lugares, sons, objetos e partes do corpo (dos animais em especial) impregnados de axé; o coração, fígado, pulmões, moela, rim, pés, mãos, rabo, ossos, dente, marfim, órgãos genitais; as raízes, folhas, água de rio, mar, chuva, lago, poço, cachoeira, orô (reza), adjá (espécie de sineta), ilús (atabaques)...

Toda oferenda e ato ritualístico implica na transmissão e revitalização do asé. Para que seja verdadeiramente ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitam uma realização determinada. Receber asé, significa, incorporar os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de incorporar o aiyé e o orún , o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano. O asé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação que contém representações materiais e simbólicas do "branco", "vermelho" e "preto", do aiyé e orún. O asé é uma energia que se recebe, compartilha e distribui, através da prática ritual. É durante a iniciação que o asé do ilê e dos orixás é "plantado" e transmitido aos iniciados.